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29 março 2008

Deu na Science


  • - Liberdade de Expressão Gênica: a última edição da resvista Science traz alguns artigos focados num grande enigma da biologia celular e molecular: já que as células de um mesmo organismo têm a mesma seqüência de DNA, como uma célula de coração pode ser tão diferente de um neurônio? O que se sabe é que diferentes proteínas são produzidas e em diferentes quantidades nos vários tipos celulares. Logo, não parte exclusivamente do DNA este controle do destino das células, mas sim das interações dele com o RNA, proteínas e ambiente em que a célula se encontra. Feliz ou infelizmente, o mundo é muito mais complexo do que a genômica previa.
Os editores comentam sobre o tema neste vídeo


  • - Você é o que você come: Realmente muita coisa influencia a expressão dos genes, ou são os genes que influenciam muitas coisas? Bom, o fato é que mesmo o que se come pode interferir no desenvolvimento de um organismo. O maior exemplo disto são as abelhas. Numa colméia todos os indivíduos têm o mesmo genoma, como gêmeos idênticos. As rainhas férteis, e as operárias estéreis se diferenciam graças a uma coisa: geléia-real, que tem este nome não por acaso, pois só as larvas que a comem viram rainhas. Isto já se sabia. A novidade é que ao silenciar um gene (apagar seu efeito) em larvas, obteve-se um efeito semelhante ao da geléia-real, em larvas com alimentação comum. Assim, o alimento age de algum modo no gene, usando um mecanismo chamado metilação.
Texto Science


  • - Wikiscience: A Wikipedia é uma iniciativa que ficou muito famosa por ser uma fonte aberta de informação, se baseando na participação livre de qualquer um para escrever, atualizar e corrigir seus textos. Uma empresa está fazendo o mesmo na área científica. Disponibilizando online, a quem quiser, desafios técnicos e teóricos. Quem manda uma boa idéia ou uma solução pronta pode ganhar de 5000 a 1 milhão de dólares. Há vários problemas e empresas interessadas em pagar pelas soluções.
InnoCentive

Texto Science

15 março 2008

Quem disse que Lamarck está errado?

Esta postagem é parte integrante do Carnaval de Blogs idealizado pelo Atila do Transferência Horizontal, e se baseia no tema “E se Lamarck estivesse certo?”.


Três coisas sobre Lamarck:


  • Ele é o famoso cara que ERROU a evolução. Passou raspando, Lamarck, foi mal... Mas algo que todo biólogo sabe, mas nem todo professor de ensino médio conta é: esse cara criou a idéia de que os organismos evoluem. ANTES do Darwin. Pode-se pensar até mesmo que a teoria de Darwin é uma correção que refina a idéia de Lamarck. Isso é um imenso mérito.
  • Quem disse que ele estava errado? Ele só errou o alvo. A evolução das espécies não acontece do jeito bacana que ele sugere, com a natureza recompensando os esforços dos pais com essa herança passando para seus filhos e lhes facilitando a vida. Mas outras áreas de nossa vida funcionam assim sim. Imagine a evolução do guarda-chuva. Ele foi criado com um objetivo (coisa que na teoria de Darwin não existe), e as melhorias vão se acumulando em projetos posteriores (herdabilidade), enquanto que as idéias que não funcionam são abandonadas de imediato (uso e desuso) refinando o guarda-chuva para melhor se ajustar ao seu fim. Uma tendência apareceu para estudar a evolução das idéias na sociedade, se chama Memética.Mas mesmo na própria biologia algumas coisas podem mudar ainda. Alguns processos que alteram a ação do gene, sem mudar a sua sequência, podem ser herdadas (epigenética). Isso seria a lei de herdabilidade do Lamarck em ação. Ainda não se sabe se essa participação no processo evolutivo tem alguma significância, mas é o Lamarck aí gente!
  • A famosa história da girafa. Que faz a idéia do Lamarck ficar até simpática. Parece tão lógico não? Estica, come, estica mais um pouco, come mais um pouco, filho mais pescoçudo come também e assim vai. Legal mesmo. Mas nem o Lamarck usou essa história pra se justificar! Então porque ficou ela tão famosa? Uma Malla já escreveu sobre isto neste carnaval de blogs, só venho reforçar a idéia com uma citação do saudoso Jay Gould sobre este tema:

Se seguíssemos de volta os rastros desse exemplo onipresente até os primeiros fragmentos de especulação e não descobríssemos fundamento algum, ou. Ainda, encontrássemos apenas um engraçado pontinho de origem equivalente a um rei querendo ir ao banheiro, então aprenderíamos duas lições de potencial importância: primeiro, que a repetição de uma história não necessariamente se correlaciona com o seu valor de verdade, e que mesmo as certezas mais pias devem ser periodicamente reexaminadas até os seus fundamentos; e segundo, que a relevância e a finalidade atuais de um fenômeno não nos fornecem nenhuma compreensão em particular sobre as circunstâncias de sua origem histórica.


Pois é. De repente, ninguém sabe o porquê, o exemplo hoje em dia tido como clássico de evolução acaba se revelando uma história da carochinha que nunca preocupou Lamarck e mal incomodou Darwin. Será que a memética explica?




Visite os blogs do Carnaval de Blogs

06 março 2008

Células-tronco: Críticas aos dois lados

Votação adiada, e não se sabe ao certo quem foi o vencedor parcial. Mas algumas análises dos argumentos podem ser feitas.

Gostaria de analisar dois argumentos bem sucintamente. Um a favor e outro contra o uso das células em questão.

A favor do uso – o advogado Luiz Roberto Barroso pede a liberação para que as pesquisas tragam esperança a quem tem urgência de tratamentos ainda inexistentes. Sinto informar, mas nem o mais otimista dos pesquisadores pode dar esperanças para quem já precisa de tratamento. Isto terá que esperar anos para se tornar realidade. Haverá muito o que se estudar e testar antes do tratamento ser disponibilizado, coisa que talvez esta geração não veja. Logo, urgência não é um bom argumento.


Contra o uso – argumento recorrente é o de que a célula inicial é um ser humano por ter todas as informações necessárias para a formação de um indivíduo. Caímos aqui na faceta mais controversa da biologia atual que é o determinismo. É como se todo indivíduo, seu físico e comportamento, dependessem exclusivamente da informação genética. A própria biologia do desenvolvimento é que traz os maiores exemplos de que o genoma é apenas parte de um processo muito mais complexo, onde o ambiente não age só ativando genes, mas determinando de forma mais independente e complexa as características do indivíduo.

Conforme o indivíduo se desenvolve, características surgem, ou emergem, de relações complexas. Ou seja, o indivíduo é produto de interações que se originam de outras interações anteriores. Se a questão for potencialidade, deveríamos nos revoltar pelo genocídio de espermatozóides na masturbação masculina (não estou exagerando, até isto já foi usado como argumento. Vide o blog do Marcelo Leite). É claro que isto é absurdo, mas a resposta da ciência para a pergunta "quando começa a vida" é apenas uma: 3,5 bilhões de anos atrás. Além disto qualquer resposta será de julgamento moral.

Para mais informações atualizadas, estou disponibilizando uma parte de meu netvibes especialmente para células-tronco, com vídeos, noticias e blogs.

05 março 2008

Compilando informações científicas na internet

Uma nova ferramenta online irá ajudar e muito o trabalho de nós, divulgadores de ciência pela internet.
Eu já havia comentado sobre ela num post anterior, é o Netvibes. O interessante é que além de montar um compilador pessoal, com janelas das mais variadas origens (jornais, youtube, links, fotos, etc), agora pode-se criar uma página de compilação pública, ou seja, que todos podem acessar!

Sendo assim, criei a minha página de compilação de informação científica: Add to Netvibes

Com uma seleção de blogs nacionais, blogs internacionais, agências de noticia do Brasil e do mundo, links, vídeos e tudo que for interessante e novo sobre ciência.
Adicione aos favoritos e use à vontade.

www.netvibes.com/rnam

01 março 2008

Células-tronco: votação, bastidores e conspiração

Está chegando o grande dia da votação da lei de Biosegurança que vai autorizar ou não o uso de embriões para pesquisas. Claro que a mídia está atenta a isso. Aqui está uma reportagem do Bom Dia Brasil da Globo, que foi ao ar recentemente. Muitos cientistas já velhos conhecidos da mídia apareceram: Mayana Zatz e Luis Gowdak (por sinal esta parte foi gravada no laboratório em que trabalho no INCOR), por exemplo.
O que chama atenção é a presença de uma ilustre desconhecida para mim e meu colegas de laboratório: Dra. Lilian Piñero Eça. E chama mais atenção ainda por falar de maneira pejorativa sobre células-tronco embrionárias. Dizendo que se forem injetadas em pessoas para tratamento de doenças elas podem gerar rejeição e tumores.


Bem, isso é verdade, mas o fato é que ninguém pensa em simplesmente injetar células-tronco de um embrião numa pessoa como tratamento! O que se quer é estudar a biologia de células-tronco para, a partir deste conhecimento, se pensar em tratamentos.
Mas como uma cientista pode ter falado algo tão impreciso e tendencioso num momento de tomada de decisão tão delicado como este? Simples: ela não é uma cientista.

Existe uma ferramenta online muito interessante, se chama Plataforma Lattes, e é onde qualquer um pode achar o currículo de todos os pesquisadores brasileiros ou que trabalham aqui. Vejam o currículo da tal Lilian . Como ponderar se um pesquisador é bom ou não? A primeira coisa que se olha é o número de publicações em periódicos, das quais Lilian Piñero Eça não possui nenhuma!

Mas por que raios alguém entrevistaria uma pessoa sem formação apropriada? Dois motivos: 1-jornalistas não conhecem a plataforma Lattes, e 2- Lilian foi a pesquisadora responsável pela orientação da abertura da Ação Direta da Inconstitucionalidade da Lei da Biossegurança - ADIN, em maio de 2006 a pedido do procurador geral da República Dr. Claudio Fonteles. Ou seja, foi ela quem “orientou” cientificamente a proibição do uso de células-tronco embrionárias em 2006.

E como alguém sem peso científico algum pode ser orientadora científica de uma ação política tão importante? Veja esta matéria reveladora de Dário Ferreira em seu blog (as opiniões da referência não refletem inteiramete as minha opiniões). Conspiração? Estaria a Igreja trabalhando nos bastidores usando Lilian como testa-de-ferro? Afinal, é estranho alguém trabalhando com células-tronco receber tantas menções de religiosos,posar para foto na defesa de tese e até receber prêmios da CNBB (Congregação Nacional dos Bispos do Brasil), como vemos também em seu currículo.
Nada contra a Igreja tentar colocar seu posicionamento na questão e usar cientistas que apóiem sua visão, desde que este apoio seja às claras e eles sejam cientistas de verdade!

Seja lá como for o estrago, se houve, já está feito. Quarta-feira a lei será votada e será definitiva sua decisão.
Está aí a importância de se transpor o conhecimento científico para os não cientistas. Afinal muitos deles são jornalistas ou importantes tomadores de decisão, e eles têm uma influência direta na pesquisa como estamos vendo com o caso das células-tronco.

28 fevereiro 2008

Falsas imagens de falsa ciência

Não podemos nem confiar nos nossos próprios olhos. O caso da foto apresentada aqui é um exemplo do que pode acontecer em várias áreas de nossa vida, inclusive na ciência.
Esta foto foi premiada com medalha de bronze em um concurso promovido pela tv estatal da China.
Fonte: Nature

Este concurso premiou as fotos mais influentes de 2006 e esta teve influencia porque mostra os antílopes muito calmos enquanto passa um trem pela planície. E esta ferrovia fez barulho justamente porque ambientalistas a viram como uma ameaça aos tímidos antílopes e sua migração anual. A foto da convivência pacifica entre antílopes e o trem seria prova em favor da ferrovia. Seria se ela fosse real, mas é uma sobreposição de duas fotos do mesmo lugar, mas uma com trem e outra com os bichos. Claro que o governo chinês tinha muito interesse nessa foto, pois foi ele quem construiu o trem.

Muitos trabalhos em biologia molecular também dependem de imagens como resultados: géis com bandas de DNA, RNA ou de proteínas, ou fluorescências. Uma preocupação constante é a veracidade das imagens apresentadas em trabalhos científicos. As revistas que publicam estes resultados têm até mesmo enviado fotos de trabalhos muito relevantes e polêmicos para especialistas forenses antes de publicar o tal resultado. Podem também pedir que outros laboratórios repitam o mesmo experimento para ver se o resultado se repete. Daí a importância dos métodos estarem sempre muito claros e completos nos trabalhos.

É nessa liberdade para replicação de experimentos que se baseia nossa confiança em resultados publicados. Se um resultado de experimento só ocorreu para um pesquisador, contrariando as estatísticas, ou ele está mentindo, o que ocorreu foi algo raro, o que não pode ser considerado um padrão.

Mas porque um pesquisador mentiria ou forjaria dados? Bem, é um mundo competitivo que vivemos. A produção do cientista é o que vai determinar seu salário, suas verbas de pesquisa e seu status entre os colegas. Há muita pressão para que se publique muito e bem, e o pesquisador pode fraquejar. Existem também outros tipos de pressão como é o caso da China, que quer a todo custo despontar cientificamente, mas é ainda controlado por um governo rígido em certos aspectos, e foge um pouco dos padrões internacionais de liberação de drogas e tecnologias (algumas terapias ainda em teste no resto do mundo já são autorizadas na China). Mas a ciência tem se mostrado resistente a esse tipo de erro. Justamente por essa repetição de confirmação que caracteriza o pensamento científico.

22 fevereiro 2008

Entrevista no programa WebDivã

Devido ao artigo publicado na revista Psique e seguindo os passos de meus amigos e parceiros Marco Antônio, Isabella e José Henrique, fui convidado a participar do programa Webdivã, transmitido via internet pelo site www.alltv.com.br. Os temas escolhidos pela produção do programa serão baseados nos posts deste blog "Meu genoma, minha privacidade" e/ou "Dez mandamentos contra o câncer e a modernidade" .
Por ser ao vivo, o programa permite interação do público através de um chat. Fiquem a vontade para participar.

Quando: sexta dia 22/2/08, às 20hs
Onde: www.alltv.com.br

17 fevereiro 2008

Dia de São Valentino ou Valentine´s day

Dia 14 de fevereiro, dia de São Valentino. O dia dos namorados em países de língua inglesa. Esta data já era comemorada desde épocas pré-católicas, quando se comemorava o deus Eros e festas de fertilidade. A igreja aproveitou e pegou carona no tema pagão da festa.
História aparte, dê um destes cartões para o seu cientista do coração.

"Eu naturalmente seleciono você"
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167951510342725922"



"Tenho uma queda por você"


"Nós temos uma ótima química"


Fonte: Ironic Sans

15 fevereiro 2008

Bebida diminui produção de pesquisadores


É do país mais beberrão do mundo que vem este estudo bombástico: o consumo de bebida alcoólica dos pesquisadores está relacionado com a quantidade e qualidade da sua produção científica. Quanto mais doses um pesquisador bebe por semana, menor será sua produção.

Este estudo foi realizado na República Tcheca talvez não por coincidência, afinal este é o país com maior consumo de cerveja do mundo. São 156,9 litros de cerveja por pessoa num ano.

Claro que não devemos ser alarmistas. O estudo é pequeno, foi realizado somente em um país, com pesquisadores de apenas um tema (evolução, ecologia e comportamento de aves). Mas ao comparar pesquisadores de diferentes regiões da Republica Tcheca, a famosa Bohemia, mais beberrona (200 litros por pessoa no ano), e a Moravia, mais moderada (35 litros), houve diferença significativa na produção destes pesquisadores.

Em estudos com estas abordagens sempre temos que ter cautela na interpretação. A bebida tem diferentes significados em cada cultura. Também o consumo é realizado de diferentes maneiras, pode ser um ato social ou solitário, pode ser bem ou mal visto pela sociedade. Assim também a ciência é realizada de maneiras diferentes. Não nos seus métodos (que se forem diferentes deixam de ser ciência), mas na sua dinâmica, financiamento, organização hierárquica, relação inter-pares, etc.

A quantidade e qualidade da produção científica são as principais medidas de sucesso de um pesquisador. Disso vai depender o status e o emprego do cientista. Saber que esses fatores sociais, comportamentais e psicológicos estão diretamente relacionados à sua produção é importante. E quem não é pesquisador precisa ter isto em mente também. Saber que a ciência é uma atividade humana como tantas outras, e está sempre sendo influenciada por esses fatores.

Tomas Grim - "A possible role of social activity to explain differences in publication output among ecologists" - Oikos, 2008


Aqui vai um brinde pra quem não liga pra esse tipo de pesquisa:

04 fevereiro 2008

Mais um rosto em Marte

Finalmente os ufólogos de todo o mundo têm o que queriam, uma confirmação da NASA com relação a rostos na superfície de Marte. Por muito tempo houve uma briga com relação a fotos de uma montanha que lembrava um rosto humanóide.






Mas vista de outros ângulos a figura não lembrava mais um rosto.















A imagem mostrada agora é incontestável prova de uma inteligência superior em solo marciano. Afinal, já conheciam os emoticons do MSN!


Fonte da imagem: G1

O rosto para os humanos é muito importante, e mais importante é reconhecer as expressões de um rosto com quem se conversa, para saber se está dizendo a verdade ou mentindo. Assim, nós desenvolvemos uma habilidade fantástica de reconhecer rostos e expressões, mesmo em coisas que não são rostos. Qualquer borrão com pontos aleatórios vai conter algo que nos lembre um rosto. Sempre veremos mais rostos do que patos ou qualquer outra forma. Faça o teste olhando para um pedaço de granito bem manchado. Quantos olhinhos e bocas você vê?