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05 agosto 2008

O caso antraz: suicídio do pesquisador suspeito

Bruce Ivins se alistando na cuz vermelha. Por Frederick News-Post

Lembra o que é “antraz”? Esta bactéria ficou famosa depois das cartas com um pó branco, que era esporo de antraz, foram distribuídas pelo correio americano. Um dos poucos casos de ataque biológico no mundo, este caso, mesmo tendo ocorrido no fim de 2001, quando matou 4 pessoas e deixou outras 17 doentes, ainda não foi solucionado. Mas as investigações não pararam. Tanto que um dos suspeitos, Bruce Ivins acabou se matando no dia 29 de julho.

Se matou pela pressão da acusação sendo inocente ou pela culpa? Segundo a revista WIRED, o FBI estava pegando pesado com a investigação, oferecendo dinheiro para o filho de Ivins e até mesmo mostrando fotos de pessoas infectadas com antraz para a filha, tudo para pressioná-los a achar provas contra seu pai.

O pesquisador Bruce Ivins trabalhava com antraz no departamento de defesa biológica do exército americano. Por 18 anos ele trabalhou em vacinas contra o antraz, inclusive contra a cepa (“raça”) de bactéria encontrada nas cartas.

Agora com o suicídio talvez nunca saibamos se e como ele pode ter se envolvido com os ataques.
E os outros pesquisadores envolvidos em defesa contra o bioterrorismo estão em alerta. Afinal, sempre que algo acontecer envolvendo o tema de sua pesquisa, estes profissionais serão acusados? Por exemplo, neste mesmo caso do antraz, um pesquisador recebeu uma indenisação de U$4,6 milhões do governo por ter sido apontado como suspeito, quando era inocente, e teve sua carreira arruinada pela acusação.

Mas e se realmente ele estava envolvido? Como melhorar o controle das pesquisas? Surgiu uma especulação na época dos ataques que eles podiam ter sido causados por um fanático da defesa anti bioterrorismo para chamar a atenção para este programa de defesa. Se isso for verdade, disse o especialista em biosegurança Gerald Epstein, deixaria a impressão de que as pesquisas de biodefesa seriam uma fraude por serem inúteis, já que a ameaça maior viria de dentro da própria defesa americana.

Fonte: ScienceNOW

10 julho 2008

Brasil é notícia na Nature

Olha aí que beleza, Brasil é notícia numa das revistas da Nature. E não falou de biocombustível, hein. Saiu na Nature Medicine. Nada muito interessante na verdade. Só falando da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, mas acho que isto mostra um certo interesse internacional pelo tema, principalmente quando está sendo tratado dentro de um país em desenvolvimento.

A votação apertada de 6 contra 5 pode pegar um pouco mal, mostrando um país dividido nestes assuntos biotecnológicos e éticos. Mas no artigo é citada uma pesquisa do Ibope dizendo que 75% dos brasileiros aprova totalmente as pesquisas com células-tronco. A pergunta é, esses brasileiros sabiam o que é célula-tronco embrionária?

Estas células seriam obtidas desta maneira retratada ao lado?

04 junho 2008

A genética como produto na revista Exame


Passei pela banca esta semana (coisa que a muito não faço por ter tanta coisa pra ler na internete) e me chamou a atenção a capa da revista Exame com uma dupla fita de DNA na capa. "Seu DNA vale bilhões" é o que diz a chamada. Claro, comprei a danada.

Muita coisa eu já havia escrito aqui (o que me alegra por saber que não estou defasado, e me entristece porque eu queria escrever um artigo maior justamente sobre isso). O foco são os testes genéticos e as empresas que estão surgindo neste ramo. Também cita o que empresas grandes como a Nestle e Siemens estão fazendo para se preparar para este novo movimento da "genômica pessoal".

Quase soquei o computador quando vi que a matéria está disponível online e eu não precisava ter comprado a revista. No site da Exame tem um video de 2 min. sobre o tema. Mostra a repórter na exposição Revolução Genômica, que está rolando no Ibirapuera até julho, e o laboratório da Nestle aqui no Brasil.

Na verdade não comprei a revista a toa, já que o mais interessante da reportagem, na minha opinião, foi o relato de Maurício Lima sobre o exame genético que ele testou, e infelizmente não foi disponibilizado online. Neste relato ele conta que comprou o kit por 1000 dólares, cuspiu no potinho, e enviou esta amostra de volta ao laboratório da empresa 23andMe. Muito tempo depois obteve a resposta com o acesso online a algumas sequências, não do genoma inteiro, e sua comparação com estudos já realizados.

Basicamente se determina qual cópia de um gene relacionado a alguma doença você tem. Algumas cópias estão mais presentes em doentes. Daí se tira a tal chance de desenvolver a doença, coisa que é totalmente virtual, já que não se pode garantir que você terá ou não terá a doença. Mesmo ele sabendo disto, ficou ansioso ao saber que tem chance maior que a média de ter uma doença nos olhos que pode deixar a pessoa cega.

Se você se interessa pelo assunto, vale a pena comprar a revista Exame, e entrar também no site da 23andMe. Lá você pode, sem pagar nada, navegar pelos dados de sequenciamento de uma família fictícia, e ter uma idéia de como funciona o negócio.

P.S.: Esta não é uma postagem patrocinada. Nem pela Exame, nem pela 23andMe. Aliás deixo aqui o alerta de "CUIDADO-Determinismo Genético inside". Para uma crítica, leia também aqui.

02 junho 2008

Super-ultra-mega evento científico-artístico-educacional


Como é que fazem um baita evento mirabolante e interessantíssimo, tentando unir ciência, arte e divulgação e não me avisam?!

Cadê a imprensa nacional cobrindo o evento?! Até a Revista Science mandou dois repórteres para atualizar um blog só do evento. Que evento? O World Science Festival (festival mundial de ciência), que estava acontecendo em Nova Iorque do dia 28 de maio até ontem. Duas lástimas: não me convidarem para ministrar uma palestrinha, mesmo que mixuruca (ha ha ha); e outra é o completo silêncio sobre o assunto aqui. Má divulgação americana ou descaso no Brasil?

Enfim, o evento, voltado para o povo não-cientista, deve ter sido maravilhoso. Organizado por cientistas e artistas, contou com os maiores pesquisadores, pensadores e divulgadores de ciência. Como já disse, a Science montou um blog especial para atualizar sobre o evento. Lá dá pra ter uma idéia da beleza que foi.

Palestras abertas; debates entre pensadores de diferentes formações; participação de estudantes nos debates junto com vencedores do prêmio Nobel; peças teatrais e coreografias de dança inspiradas em temas científicos; eventos sobre carreira para jovens; Disney para crianças; feira aberta com performances, uma loucura.

Os temas? Da origem do universo até o possível fim do mundo. Passando por ambiente, moral, experimentos que deram errado, Deus, o filme Identidade Bourne e a memória, genética, esporte, soluções para cidades, a por aí vai.

Aqui temos a Semana de Ciência e Tecnologia, que tem seu mérito por ser uma iniciativa por todo o território nacional. Mas o ideal seria juntar este alcance da Semana de Ciência com o ideal do World Science Festival, que é ser mais pop, mais hype. Nas palavras do organizador do festival, o físico Brian Greene: A ciência é inspiradora, excitante, pode influenciar vidas. Não é a ciência “engraçadinha”, mas a coisa real.

27 maio 2008

Um dedo para o Fantástico

Se você viu a história do Fantástico deste domingo sobre o dedo regenerado, dê um sorriso discreto. Orgulhe-se da pessoa bem informada que você é, pois até já sabe do que vai falar este blog. Será que sabe mesmo?

E se eu disser que é bem possível isso ser balela? E se, não eu, mas o maior caçador de mitos científicos atuais, que realmente disse isso? Você acreditaria?

Pois é. Tudo parece ser, se não uma farsa, pelo menos um exagero tremendo. No blog Bad Science de Ben Goldacre, o tal perseguidor da má ciência, já havia sido denunciado isto dia 3 de maio (note, a reportagem do Fantástico saiu dia 25 de maio). O tal pó de bexiga de porco teria feito o dedo de um senhor se regenerar. Mas analisando as poucas fotos, um especialista em cirurgia de mãos Simon Kay diz que o ferimento não parece ter atingido o osso, nem a raiz da unha como dito da reportagem. E se isto não acontece, é mais que natural e normal a ponta do dedo crescer e ficar como antes. Ao pedido de mais fotos, não houve resposta.


Mas porque a farsa? O cientista que aparece, dr. Badylak diz a Goldacre que a história vazou na mídia antes de ser publicada como artigo científico, e na verdade não há um estudo preparado. No Fantástico, o tal amputado diz que utilizou o tratamento sugerido pelo irmão veterinário, já falecido. O que não se fala é que o falecido irmão é dono de uma empresa de biotecnologia chamada Acell, que produz o tal pó. Marketing ou homenagem póstuma? E porque não as duas?!

Aliás chamam o pó extraído da bexiga do porco de matriz extracelular, como se só lá houvesse tal matriz. TODOS os nossos tecidos possuem matriz extracelular em torno das células. Esse nome é o mais genérico possível.

Mas não critiquemos a pobre da Globo pela mancada. Esta notícia pode ser velha, afinal apareceu em fevereiro de 2007 no Wall Street Journal, MSNBC, e agora aparece novamente na BBC, Fox e ABC. É o famoso telefone sem fio das agências de notícias. O Fantástico acabou caindo nesta armadilha, que já estava mais do que desarmada.

17 maio 2008

Semana cientificamente NULA! Que tédio.

Olha, não é por nada não, e nem querendo justificar a falta de postagens (já justificando), mas Ô SEMANINHA BRABA! Cientificamente nula!

Claro que nula é um exagero, afinal a pesquisa não pára, mas não tivemos nenhum grande furo. Tivemos a publicação do genoma do ornitorrinco esses dias, muito comentado por aí. Mas genoma de novo? Cansei. Será que este doutorando está perdendo a empolgação? Jamais! Mas é que o mundo tem sua parcela de responsabilidade para com a minha criatividade de divulgador de ciência. Um material diferente só pra variar um pouquinho é sempre bom.

Acho que estou dependendo muito de internet.

No começo, quando se aprende a usar a internet, ficamos empolgadíssimos com a quantidade de informação disponível. Mas quanto mais você se acostuma mais, vai percebendo que as pessoas estão falando sempre da mesma coisa e, muitas vezes, mais ou menos do mesmo jeito. Meia dúzia de pontos de vista: o que informa, o que opina, o que concorda, o que discorda, o extremista de um lado e o de outro.

É... acho que preciso dar uma pausa na net e começar um livro pra chacoalhar a cachola. Alguém sugere algum? Não precisa ser de ciência não.

Aguardo respostas.

Grato

05 maio 2008

Células-tronco embrionárias: mais do mesmo, mas com um pouquinho de Isabella.

Aqui a notícia:
Cientistas e juristas questionam pesquisas com células-tronco
Grupo divulgou um manifesto contra pesquisas com células-tronco embrionárias.
Tema está em discussão no STF; julgamento foi interrompido em março.


Não vi a declaração, mas os dois pontos ressaltados na reportagem são argumentos já exaustivamente debatidos: a vida começando na concepção (só que a questão não é com a vida, a questão é quando começa o “indivíduo”); e o direito dos pais sobre a vida dos embriões. Aqui o argumento ganha um novo fator apelativo, onde até a onipresente menina Isabella é citada como mau exemplo do poder de vida e morte que pais têm sobre os filhos. Grande argumento, que acaba caindo no anterior: e se um embrião não for considerado uma criança? Gente, vamos tentar não apelar, ok?

Resumindo, a notícia é esta: Nada de novo.

Veja o que já foi escrito sobre isto neste blog

11 abril 2008

Deu na Nature: Definindo o que é “natural”

de Defining 'natural', Nature

Pensando evolutivamente é importante estranhar o que não parece natural. Qualquer coisa fora do comum pode ser perigosa. Mas a origem evolutiva desta resposta também garante que ela será guiada mais pela emoção que pela razão.

Dois exemplos: Thomas Beatie, a mulher que trocou de sexo e agora está grávida, gerou reações muito viscerais nas pessoas. Elogios da apresentadora Oprah e de grupos de minorias sexuais, e revolta, até mesmo nojo, de muitas outras. Sendo que estas últimas alegam que isto não é natural. O que não é natural? Desejar ter um filho? Isto é um desejo humano, natural em homens, mulheres e transexuais. Uma mulher querer ser homem? Comportamento sexual invertido não é raro de achar em humanos ou em não-humanos. Apesar da biotecnologia ser capaz de mudar cada vez mais nossa constituição biológica, ela ainda não criou nada “anormal” por definição.


Outro caso é o do doping mental (já discutido neste blog). Estas drogas têm efeitos colaterais, mas nada muito diferente dos efeitos da cafeína. Mas a “anormalidade” dessas substâncias deixa até mesmo os tomadores de café desconfiados. Dizem que os resultados obtidos com as drogas seriam menos válidas por não serem naturais. Mas afinal, o que é natural? Óculos, aparelhos de audição e próteses também não são naturais. E quanto a provas e exames, seriam os cursinhos preparatórios não-naturais? Deveríamos tirar pontos de quem fez cursinho?

O nosso conceito de natural depende de a que estamos acostumados, e vai evoluir com a tecnologia. Durante o descompasso, já que a tecnologia anda muito mais rápido, não podemos nos distrair das verdadeiras questões éticas, que no caso de Beatie seriam a saúde, a segurança e o emocional da criança. Tentar decidir estes assuntos éticos baseando-se em conceitos fluidos seria estupidez, naturalmente.

03 abril 2008

Vanity Fair homenageia defensores da natureza. E no Brasil?



A famosa revista de entretenimento e cultura Vanity Fair traz perfil e fotos de pessoas engajadas nas questões ambientais. De "prêmios-nobel" a atores e músicos e com toda superprodução das fotos, que lhe é característica, a revista não hesita em chamá-los de heróis.

E no Brasil, quem colocaríamos numa reportagem assim? Marina Silva?
Christiane Torloni e a dupla Dom Cappio e Letícia Sabatela com certeza estariam. Afinal, a quem o povo vai ouvir?

02 abril 2008

Comentando: Cientistas criam primeiros embriões híbridos do Reino Unido

da Efe, em Londres via Folha

Cientistas da Universidade inglesa de Newcastle foram os primeiros no Reino Unido a criar embriões híbridos de humanos e animais, afirmou nesta quarta-feira a "BBC".

De acordo com a emissora, estes embriões, desenvolvidos a partir da inserção de material genético de células epidérmicas humanas em óvulos sem núcleo de vaca, sobreviveram até três dias.


Veja o que já foi escrito sobre o assunto aqui no RNAm.

Comentando: Pesquisa mostra o câncer como doença gerenciável dentro de dez anos


RAFAEL GARCIA
da Folha de S. Paulo

Dentro de dez a quinze anos, provavelmente ainda não haverá algo que possa ser chamado de uma cura para todos os tipos de câncer, mas esta será uma doença "administrável". É a opinião do oncologista Júri Gelovani, do Centro M.D. Anderson de pesquisa contra o câncer, da Universidade do Texas.
"Provavelmente, no futuro, nós converteremos o câncer em uma doença que poderemos detectar cedo e que possamos administrar, da mesma forma que administramos hipertensão, diabetes e epilepsia", disse Gelovani à Folha. "Deixaria de ser uma doença que chamarmos de 'grave' para se tornar gerenciável."


Devo concordar com o doutor Júri Gelovani. Curar parece impossível, mas administrar sim é um objetivo que me parece muito bom e mais factível.
Porque a cura seria impossível? Primeiro que o câncer não é uma doença só, mas várias. Suas características dependem do tecido em que se inicia e das mutações que o geraram. Caímos aqui no fatídico clichê “cada caso é um caso” (e vice-versa, como algum piadista diria).

Mesmo assim isto torna a doença difícil mas não impossível de ser curada. O principal problema do câncer é que ele é uma falha em um mecanismo muito importante na vida de uma célula: o seu próprio ciclo de vida. O tratamento ou prevenção ideal para o câncer seria o envelhecimento precoce ou a morte, pois são nestes dois casos que as células não estão se duplicando. Mas enquanto houver reprodução celular, com replicação (duplicação) de DNA, haverá chance de erro (mutação), o que uma hora ou outra dentro de um organismo com milhares de milhões de células vai acontecer. Ou seja, se tudo der certo na sua vida, nenhum acidente ou ataque cardíaco, provavelmente haverá um câncer.

Mas não é tempo de desespero. É isso que o doutor da reportagem prevê e que em parte já é uma realidade. Não se pode dar 100% de certeza de cura para alguém, mas temos métodos diagnósticos e tratamentos que estão se desenvolvendo cada vez mais, o que permite tratamento eficaz nos primeiros momentos da manifestação de cada tumor. Quantas pessoas já tiveram câncer várias vezes e estão firmes por aí? A questão é tornar o tratamento mais leve, com menos efeitos colaterais e ação mais específica. Quem sabe então o câncer deixará de meter tanto medo.

01 março 2008

Células-tronco: votação, bastidores e conspiração

Está chegando o grande dia da votação da lei de Biosegurança que vai autorizar ou não o uso de embriões para pesquisas. Claro que a mídia está atenta a isso. Aqui está uma reportagem do Bom Dia Brasil da Globo, que foi ao ar recentemente. Muitos cientistas já velhos conhecidos da mídia apareceram: Mayana Zatz e Luis Gowdak (por sinal esta parte foi gravada no laboratório em que trabalho no INCOR), por exemplo.
O que chama atenção é a presença de uma ilustre desconhecida para mim e meu colegas de laboratório: Dra. Lilian Piñero Eça. E chama mais atenção ainda por falar de maneira pejorativa sobre células-tronco embrionárias. Dizendo que se forem injetadas em pessoas para tratamento de doenças elas podem gerar rejeição e tumores.


Bem, isso é verdade, mas o fato é que ninguém pensa em simplesmente injetar células-tronco de um embrião numa pessoa como tratamento! O que se quer é estudar a biologia de células-tronco para, a partir deste conhecimento, se pensar em tratamentos.
Mas como uma cientista pode ter falado algo tão impreciso e tendencioso num momento de tomada de decisão tão delicado como este? Simples: ela não é uma cientista.

Existe uma ferramenta online muito interessante, se chama Plataforma Lattes, e é onde qualquer um pode achar o currículo de todos os pesquisadores brasileiros ou que trabalham aqui. Vejam o currículo da tal Lilian . Como ponderar se um pesquisador é bom ou não? A primeira coisa que se olha é o número de publicações em periódicos, das quais Lilian Piñero Eça não possui nenhuma!

Mas por que raios alguém entrevistaria uma pessoa sem formação apropriada? Dois motivos: 1-jornalistas não conhecem a plataforma Lattes, e 2- Lilian foi a pesquisadora responsável pela orientação da abertura da Ação Direta da Inconstitucionalidade da Lei da Biossegurança - ADIN, em maio de 2006 a pedido do procurador geral da República Dr. Claudio Fonteles. Ou seja, foi ela quem “orientou” cientificamente a proibição do uso de células-tronco embrionárias em 2006.

E como alguém sem peso científico algum pode ser orientadora científica de uma ação política tão importante? Veja esta matéria reveladora de Dário Ferreira em seu blog (as opiniões da referência não refletem inteiramete as minha opiniões). Conspiração? Estaria a Igreja trabalhando nos bastidores usando Lilian como testa-de-ferro? Afinal, é estranho alguém trabalhando com células-tronco receber tantas menções de religiosos,posar para foto na defesa de tese e até receber prêmios da CNBB (Congregação Nacional dos Bispos do Brasil), como vemos também em seu currículo.
Nada contra a Igreja tentar colocar seu posicionamento na questão e usar cientistas que apóiem sua visão, desde que este apoio seja às claras e eles sejam cientistas de verdade!

Seja lá como for o estrago, se houve, já está feito. Quarta-feira a lei será votada e será definitiva sua decisão.
Está aí a importância de se transpor o conhecimento científico para os não cientistas. Afinal muitos deles são jornalistas ou importantes tomadores de decisão, e eles têm uma influência direta na pesquisa como estamos vendo com o caso das células-tronco.

27 setembro 2007

Farejando cânceres e fontes

Desculpe a redundância de assunto, mas peço que não me culpe. Culpe sim as agências de notícias nacionais e mundiais. Mais uma reportagem com informações incompletas, sem link para fontes, e fontes que mesmo com eforço não pude achar.

'Nariz artificial' permitirá encontrar tumores cancerosos


E desta vez percebi que quase todos os sites de notícias mais importantes (globo, uol, terra, folha) simplesmente recortaram e colaram a notícia de uma fonte (EFE), que a copiou de outra fonte (Yedioth Ahronoth, site de notícias israelense no qual não achei a referida reportagem).

Será que só eu fiquei curioso em saber o COMO do funcionamento do tal aparelho, ou é o tipo de informação que não poderia faltar nesta notícia?

22 setembro 2007

Tequila contra câncer. Um brinde ao sensacionalismo!



Não precisa ser nenhum biólogo ou médico oncologista para sentir um leve incômodo com o titulo da reportagem da folha online desta semana: Tequila diminui risco de câncer. Assim que li percebi que tinha algo estranho nisso. Fico imaginando o que levaria um pesquisador a jogar tequila nas plaquinhas de células ou a dar de beber a seus camundongos. Indo a fundo, percebi que a folha simplesmente repassou a informação de outra agência de notícias, a ANSA. Esta, por sua vez, cita um artigo de uma tal Associação Americana de Química, que com certa dificuldade fui descobrir que se trata da American Chemical Society.

Claro que ao ler o artigo original descubro que os pesquisadores usaram apenas o extrato da Agave, planta da qual se faz a tequila (e a relação do trabalho com a tequila termina aqui), para utilizar como carregador de medicamentos e fazer com que estes passem pela acidez do estômago.

Vários são os problemas que podemos encontrar nesta reportagem e que estão muito presentes nesse tipo de notícia online:
- bom, o título é uma pérola, reflete o erro da informação da reportagem em nome do sensacionalismo;
- nenhum link direto para a fonte foi disponibilizado, o que dificulta a confirmação e o aprofundamento na notícia;
- o nome da fonte original foi traduzido de uma maneira que não permite procurá-lo com facilidade em sistemas de busca como o Google, sendo o melhor deixar o nome original;
- a aparente falta de comprometimento das agências de notícia em confirmar as informações técnicas de suas notícias, sendo a solução um consultor técnico da área (com tantos biólogos desempregados por aí).


Assim como não precisa ser biólogo ou médico para perceber esses disparates, também não é preciso diploma para relatar erros ou confusões e exigir uma posição das agências de notícias. Neste caso a Folha e a ANSA já foram notificadas. Claro que um puxão de orelha a mais é sempre bom, portanto se sintam a vontade para enviar suas impressões e reclamações a ambas.