22 dezembro 2007
Folheando virtualmente livros antigos
Ligue o som e ouça explicações sobre o livro escolhido enquanto o folheia.
British Library - Turning the Pages
Cuidado com o que você bebe nas festas de fim de ano
Veja esta imagem vinculada no site do "British Medical Journal":

Sim, isto é uma tampinha de cerveja no esôfago do cidadão, que ao comemorar a vitória de seu time, tomou cerveja na taça da vitória e acabou tendo uma desagradável surpresa.
Parece que a espumante seria a opção mais segura nestas festas de fim de ano, pela dimensão da rolha que impediria a ingestão. Mas cuidado com aquele arame de segurança que envolve essas rolhas.
Talvez a melhor opção seja realmente não passar muito do ponto.
Boas Festas
Revista lista sete mitos da medicina que enganam até médicos
“Às vezes, até os médicos se enganam”, dizem os pesquisadores ingleses Rachel C. Vreeman e Aaron E. Carroll em artigo publicado neste fim de semana no "British Medical Journal", na Inglaterra. Segundo o estudo, muitos dos médicos sabem que precisam atualizar seu conhecimento com freqüência, mas acabam não questionando algumas crenças populares relacionadas à saúde.
Os principais mitos são:
As pessoas devem beber pelo menos oito copos de água por dia
“Não existe nenhuma evidencia médica para sugerir essa quantidade específica”, diz o artigo. Segundo os pesquisadores, o mito pode ter surgido em 1945, depois que o Conselho de Nutrição da Inglaterra passou a recomendar oito copos de "fluidos" por dia. A diferença é que esses fluidos incluíam frutas, vegetais, café, leite e outros líquidos. O estudo lembra que o excesso de água pode ser perigoso.
Apenas 10% do cérebro é usado
Normalmente creditada de forma errônea a Albert Einstein, a crença provavelmente surgiu no início do século 20, quando as pessoas queriam incentivar a população a atingir todo seu potencial. Mas ela está longe da verdade segundo estudos recentes. Pesquisas que analisam imagens do cérebro e o metabolismo das células cerebrais apontam para a inexistência de áreas inativas no cérebro.
Cabelo e unhas continuam crescendo após a morte
Impossível. O que acontece, segundo os pesquisadores, é que a pele da pessoa morta se resseca e encolhe, o que faz com que unhas e cabelos fiquem mais proeminentes.
Raspar a cabeça faz o cabelo crescer mais rápido, mais escuro e menos liso
“Fortes evidências científicas negam esta crença”, diz o artigo do British Medical Journal. Um estudo realizado em 1928 de fato comparou o formato de cabelo raspado com o cabelo não-raspado para concluir que ele não cresce mais rápido, nem mais grosso. Os pesquisadores dizem que a aparência de ser mais escuro se dá porque o cabelo mais recente ainda não perdeu cor, o que acontece naturalmente com o tempo.
Ler com pouca luz estraga a visão
É verdade que ler com pouca luz cansa a visão, e pode diminuir temporariamente sua capacidade, mas nenhum estudo encontrou danos permanentes por causa disso.
Comer peru deixa as pessoas sonolentas
O estudo reconhece que muitas vezes as pessoas comem peru e se sentem dessa forma, mas dizem que isso se dá pelo fato de a ave ser normalmente consumida em grandes banquetes e festas, especialmente de fim de ano, acompanhado e álcool e outras substâncias que podem causar sono. O estudo admite que o peru tem triptofano, substância química envolvida no controle do sono, mas diz que a ave tem tanto dela quanto galinhas e mesmo carnes vermelhas.
Celulares podem causar interferência em hospitais
Nenhuma morte foi registrada até agora por causa de interferência de celulares em equipamentos hospitalares, mas de fato já foram reportadas interferências menores e menos sérias. A pesquisa aponta, entretanto, que o uso de celulares pelos médicos melhora o fluxo de comunicação e pode ajudar em seu trabalho de tratar os pacientes.
20 dezembro 2007
18 dezembro 2007
Museu Criacionista na revista MAD
Na última edição da revista americana Mad há uma relação de fim de ano com as 20 pessoas, eventos ou coisas mais idiotas de 2007. Olha só qual é a #14.

Na imagem lê-se: "Finalmente há prova cabal de que a teoria da evolução está errada! Para provar que a inteligência do homem não evoluiu em todas essas eras vejam estes imbecis com cérebro de Cro-magnon que abriram recentemente o Criation Museum, em Petersburg, Kentucky. O museu não só afronta a ciência como a ignora por completo! É o único lugar no mundo onde se pode ver um homem cavalgando um dinossauro - exceto, é claro, em um episódio dos Flintstones."
A piada dos Flintstones se refere ao fato de que os homens nunca chegaram perto de um dinossauro, pois estes já haviam se extinguido muito tempo antes do primeiro do gênero Homo.
Mas este museu não é o único lugar em que se pode ver humanos montando dinossauros. Aqui no RNAm também! Veja estas imagens achadas por um amigo e que realmente me intrigam. Quem teria feito isso e por quê?

17 dezembro 2007
Biotecnologia a serviço das meias indestrutíveis
17/12/2007 - 08h18
Japoneses criam "superfibra" de bicho-da-seda com gene de aranha
da BBC Brasil
Cientistas japoneses conseguiram implantar genes da aranha em bichos-da-seda para a criação de uma fibra duas vezes mais resistente que a seda comum --e que será usada na fabricação de meias especiais.
O novo produto, desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade Shinshu, da província japonesa de Nagano, foi apresentado como sendo ultra-resistente. A fibra produzida pelo bicho-da-seda geneticamente alterado é composta de cerca de 10% de seda de aranha e 90% da seda que a larva produz para criar seu casulo.
A fabricante de meias japonesa Okamoto é uma das patrocinadoras da pesquisa e planeja usar a nova fibra na fabricação de meias mais fortes e mais elásticas.
Pois é, não sou mulher, portanto não sei se vale mesmo a pena alterar geneticamente um organismo para ter meias indestrutíveis.
16 dezembro 2007
A química e a genética do amor

Acabou de entrar no ar uma empresa de serviços online para solteiros que querem achas seus companheiros ideais. Mas este site, ao contrário dos milhares que já existem nesta área, vem com uma idéia nova. Agrupar as pessoas pelo DNA.
Um fato da teoria evolutiva é que a diversidade propicia evolução. Principalmente se a diversidade for do sistema imune. Portanto quanto mais diferente entre si for o sistema imune dos pais, uma criança vai ter uma defesa maior a infecções, um maior repertório para responder a microorganismos.
Se esta informação estivesse só no DNA não conseguiríamos escolher as pessoas com sistema imune diferente do nosso, e a coisa seria aleatória. Mas alguns estudos têm mostrado que preferimos o odor natural de pessoas que têm o sistema imune mais diferente do nosso. Ou seja, os humanos usam o faro para ajudar na decisão de escolha de parceiro.
Foi apostando nisto que o idealizador do site de encontros montou seu negócio. Por 1.995 dólares você recebe um kit para coletar células raspadas de sua boca e enviar para um laboratório que seqüenciará essas regiões de diversidade do sistema imune, conhecidas como MHC. Claro que há um questionário como em todos os sites de encontros, talvez perguntas como qual seu hobbie ou comida preferida. Somando tudo isto, personalidade e genética, a promessa é de achar o seu par perfeito, com quem vai rolar aquela química, como promete o site.
Caso este site realmente funcione acima da média dos outros sites de encontro, será a prova de que em relações humanas os opostos se atraem.
Links:
K. Grens, "Darwin hits dating," The Scientist, June 28, 2007.
http://www.the-scientist.com/news/display/53296/
N. Atkinson, "Match 'n' sniff: The MHC T-shirt conundrum," The Scientist, September, 2006.
http://www.the-scientist.com/2006/9/1/32/1/
Garver-Apcar C.E. et al., "Major histocompatibility complex alleles, sexual responsivity, and unfaithfulness in romantic couples," Psychol Sci, 17:830-5, 2006.
http://www.the-scientist.com/pubmed/17100780
14 dezembro 2007
Propaganda com experimentação animal
O cientista é bravo, mas a macacada é solidária.
Meio estereotipado mas engraçado.
09 dezembro 2007
Evolução no tribunal: Documentários on-line
Numa pequena e pacata cidade dos EUA, uma controvérsia de proporções imensas tomou forma. A briga pelo ensino de conceitos de fundo religioso misturado com a evolução nas aulas de biologia. Em escolas públicas o ensino de religião é proíbido, mas religiosos encobriram o tradicional criacionismo (que afirma que Deus criou o homem e o mundo como são) com uma teoria mais adequada aos padrões científicos atuais, o famoso Desenho Inteligente ou "inteligent design".
Essa briga foi a julgamnto e toda esta história é contada de maneira muito adequada por um documentário on-line da TV pública americana: Judgment Day - Intelligent Design on Trial

Vale muito a pena. Mas pena também que não está em português.
Outro documentário online bem bacana e interativo é o Becoming Human. Este é só sobre evolução humana e é bem completo.
Assim não tem desculpa, se não tiver nada passando na TV, ligue o seu computador e assita!
06 dezembro 2007
Clichês científicos
Este é mais para os que trabalham com ciência, mas talvez você se lembre de alguma aula de física.
Clássicos como: "...imagine uma massa perfeitamente esférica e sem atrito..."
Science Cliches: what are your favorites?
Deu na Nature - Arte de inseto

Deu na Nature - Arte de inseto
É isso ae, um cara pinta as patinhas dos insetos e solta os bichinhos pela tela.
Usando a resposta dos insetos para a luz ou para o toque, Steven R. Kutcher, o primata desta relação de simbiose artística, conduz parte da obra. O resto fica por conta das baratas, grilos, moscas ou borboletas.
Claro que só podia ser um biólogo com mestrado em entomologia (estudo de insetos)... Além disso ele treina insetos também para o cinema! Foi ele quem treinou a aranha do filme "Homem Aranha" que morde o Peter Parker.
Como se treina insetos? Usando hormônios, comida, iluminação, etc...
Artigo da Nature
A Galeria de Arte de Steven R. Kutcher e seus insetos<
04 dezembro 2007
Carreira em Ciências Biológicas em ascensão?!
Ciências biológicas compreenderia Biologia, Medicina, Ciências agrarias, Engenharia Florestal, etc... Provavelmente todas estas estão inclusas, porque só a boa e velha biologia não consegue segurar essa pressão. Afinal desde os anos da minha graduação, começada em 2000, a biologia é a "ciência do futuro". O problema é que este futuro nunca chega. Os biólogos que estão sendo absorvidos pelo mercado são os que trabalham com Estudos de Impacto Ambiental na sua maioria. De resto sobram duas opções para o recém-formado: dar aulas ou pós-graduação.

Aulas não têm brotado como nos foi prometido pelo mercado. E a pós-graduação se torna uma opção para poucos que conseguem entrar em boas faculdades que possuam centros de pesquisa. Mesmo estes poucos pós-graduandos têm poucas garantias de absorção pelo mercado. Uma barreira que parece intransponível é a do final do doutorado. O que fazer depois? Realmente há pesquisa de ponta sendo realizada no país, mas há empresas de ponta para empregar este conhecimento e esta mão-de-obra extremamente especializada? O formado novamente se depara com a opção de dar aulas e com as promessas de absorção pelas várias faculdades particulares que abrem a todo instante no país. Mas histórias de doutores ou pós-doutores mandados embora de faculdades por serem qualificados demais têm me deixado um pouco descrente.
Agora, se as carreiras em Ciências Biológicas estão em ascensão deve ser mesmo por englobar várias disciplinas além da jovem e eternamente promissora Biologia.
30 novembro 2007
29 novembro 2007
A árvore da vida

Uma árvore filogenética interativa bem legal. Tente achar o Homo sapiens e veja se estamos bem representados.
Link:
http://itol.embl.de/itol.cgi
Dez mandamentos contra o câncer e a modernidade
"Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
(...)Esses são alguns dos alertas do relatório Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma perspectiva global, lançado há duas semanas pelo Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer e apresentado no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, que terminou nesta quarta-feira (28/11), no Rio de Janeiro.
As recomendações do Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer para prevenção da doença são:
- Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso.
- Mantenha-se fisicamente ativo, por pelo menos 30 minutos todos os dias.
- Evite bebidas açucaradas e limite o consumo de alimentos de alto valor calórico.
- Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais.
- Limite o consumo de carnes vermelhas e evite carnes processadas.
- Se for consumir bebidas alcoólicas, limite-as a duas doses ao dia se for homem e a uma dose se for mulher.
- Limite o consumo de alimentos salgados e de comidas industrializadas com sal.
- Não use suplementos alimentares para se proteger contra o câncer.
- Lembre sempre: não fume.
- Amamente as crianças até os seis meses. (...)"
Parece que nada de novo aparece nesta lista. Nada que já não tenha sido amplamente divulgado na mídia e nos consultórios médicos. Mas porque tudo que é bom engorda? A pergunta certa na verdade é: porque gostamos tanto de coisas que engordam se elas nos fazem mal?
O funcionamento de nosso corpo muitas vezes nos parece perfeito, harmônico, regulado e sincronizado. E realmente ele é. O problema é que ele está sincronizado com outro fuso-horário alguns milhares de anos atrasado.
Nosso corpo, sua fisiologia, genética e comportamento foram moldados por milhares de anos por um ambiente hostil, onde a comida era difícil (1- Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso), se comia o que se achava por perto (4- Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais), ou se andava por milhas para achar o que comer, pois não existia agricultura ou pecuária (2,3,5,7), muito menos bebidas alcoólicas, cigarro ou mamadeiras (6,9,10). Nosso corpo é sim perfeitamente adaptado, mas adaptado para a vida de "homem das cavernas".
Engraçado pensar também que os homens das cavernas também estavam perfeitamente adaptados, mas apenas para o ambiente de seus antecessores. Este anacronismo é característico do processo evolutivo não só do homem, mas de todas as espécies. Não podemos nos adaptar ao que ainda nem aconteceu. Vivemos a vida inteira com o que ganhamos do ontem e tentando nos adaptar ao hoje. Mas quem sabe o que o amanhã nos reserva?
19 novembro 2007
Experimentação em animais: emendando com ementas.
Parece que resolveu-se este problema da experimentação animal no Rio de Janeiro de uma forma simples: constatando que não havia problema! Alguém talvez desavisado da importância do assunto esqueceu de grampear na papelada os anexos que diziam que a proibição vale EXCETO para fins científicos!
Então melhor esquecer o fato, águas passadas.
Mas se tudo não passou de um mal-entendido, como interpretar as ações do vereador Cavalcanti, preponente do projeto de lei, que já uma outra vez tentou proibir o uso de animais em pesquisa? E as alegações de sua mulher, chefe de seu gabinete e ex-secretária de Proteção e Defesa dos Animais Maria Lúcia Frota: "A nossa plataforma política é a defesa dos direitos dos animais, que devem ser tratados como sujeitos de direito e não apenas como coisas. A intenção da lei foi abranger qualquer tipo de maus-tratos contra esses seres. Pesquisas com animais estão obsoletas e podem ser substituídas por outros recursos"?
07 novembro 2007
Lei de experimentação animal
Agora uma outra inquietação me incomoda, não como cientista, mas como cidadão. Qual a diferença entre o sacrifício dos animais de experimentação e os animais de criação pecuária?
Nas suas condições de criaturas não se pode diferenciar um do outro, e há quem diga até que nem nós humanos podemos nos diferenciar muito desta condição, mas para algum damos a liberdade, e para outros a pena de morte. Os preponentes da lei parecem estar certos do sofrimento dos camundongos de laboratório, mas será que eles sabem do que se passa também no âmago de um boi no matadouro?
Longe de mim, carnívoro que sou, querer o fim também da pecuária. Só não pode haver hipocrisia. O dever do Estado de dar de comer é tão importante quanto o de tratar de doenças, assim devemos exigir o bom-senso em ambos, mas sem proibições inconseqüentes.
27 setembro 2007
Farejando cânceres e fontes
'Nariz artificial' permitirá encontrar tumores cancerosos
E desta vez percebi que quase todos os sites de notícias mais importantes (globo, uol, terra, folha) simplesmente recortaram e colaram a notícia de uma fonte (EFE), que a copiou de outra fonte (Yedioth Ahronoth, site de notícias israelense no qual não achei a referida reportagem).
Será que só eu fiquei curioso em saber o COMO do funcionamento do tal aparelho, ou é o tipo de informação que não poderia faltar nesta notícia?
22 setembro 2007
Tequila contra câncer. Um brinde ao sensacionalismo!

Não precisa ser nenhum biólogo ou médico oncologista para sentir um leve incômodo com o titulo da reportagem da folha online desta semana: Tequila diminui risco de câncer. Assim que li percebi que tinha algo estranho nisso. Fico imaginando o que levaria um pesquisador a jogar tequila nas plaquinhas de células ou a dar de beber a seus camundongos. Indo a fundo, percebi que a folha simplesmente repassou a informação de outra agência de notícias, a ANSA. Esta, por sua vez, cita um artigo de uma tal Associação Americana de Química, que com certa dificuldade fui descobrir que se trata da American Chemical Society.
Claro que ao ler o artigo original descubro que os pesquisadores usaram apenas o extrato da Agave, planta da qual se faz a tequila (e a relação do trabalho com a tequila termina aqui), para utilizar como carregador de medicamentos e fazer com que estes passem pela acidez do estômago.
Vários são os problemas que podemos encontrar nesta reportagem e que estão muito presentes nesse tipo de notícia online:
- bom, o título é uma pérola, reflete o erro da informação da reportagem em nome do sensacionalismo;
- nenhum link direto para a fonte foi disponibilizado, o que dificulta a confirmação e o aprofundamento na notícia;
- o nome da fonte original foi traduzido de uma maneira que não permite procurá-lo com facilidade em sistemas de busca como o Google, sendo o melhor deixar o nome original;
- a aparente falta de comprometimento das agências de notícia em confirmar as informações técnicas de suas notícias, sendo a solução um consultor técnico da área (com tantos biólogos desempregados por aí).
Assim como não precisa ser biólogo ou médico para perceber esses disparates, também não é preciso diploma para relatar erros ou confusões e exigir uma posição das agências de notícias. Neste caso a Folha e a ANSA já foram notificadas. Claro que um puxão de orelha a mais é sempre bom, portanto se sintam a vontade para enviar suas impressões e reclamações a ambas.
18 setembro 2007
Meu genoma, minha privacidade

Estamos cada vez mais perto de um dos sonhos da medicina: a medicina personalizada. A idéia é simples, conhecer cada pessoa, sua fisiologia, psicologia e genoma, e prevenir ou tratar cada um de acordo com as suas características especificas. Afinal somos diferentes uns dos outros, temos resistências diferentes a doenças e respondemos de maneiras diferentes aos tratamentos. Os seqüenciamentos pessoais de genoma terão um papel essencial nessa nova medicina.
Hoje em dia ainda é demorado e caro fazer seqüenciamento de um genoma inteiro, mas a perspectiva de isso vir a ficar mais fácil é clara. Recentemente um grupo anunciou o seqüenciamento de dois cromossomos de um indivíduo. O líder do grupo, que teve seus cromossomos 23 seqüenciados descobriu algumas coisas interessantes com isso: a seqüência de seu gene ABCC11 indica que ele tem tendência a ter cera de ouvido úmida ao invés de seca; uma repetição de quatro seqüências antes de seu gene MAOA indica um comportamento social normal, já que a presença de apenas três dessas seqüências ocorre em muitas pessoas com comportamento anti-social. Também algumas informações preocupantes foram descobertas. O seu gene APOE está associado a maior risco de doenças cardiovasculares e Alzheimer, e a sua variação do gene SORL1 também está ligado a Alzheimer.
Ótimo saber tudo isto certo? Agora podemos estar mais atentos e prevenir este cara contra estas doenças indicadas pelos seus genes! Mas vamos nos por no lugar do cidadão que foi seqüenciado. Essa tendência a Alzheimer não deve ser fácil de esquecer. Como lidar com esta situação? Muita gente pode se derrotar ou ficar com aquele fantasma da doença que pode aparecer a qualquer momento. Afinal não há ainda cura para isto. Devemos ter claro que estas ligações entre genes e doenças são produto de pesquisas que comparam seqüências de genes de pessoas que tem e não tem Alzheimer, por exemplo. Algumas variações podem estar muito ligadas à doença, e vão aparecer bastante no grupo dos doentes e não muito nos saudáveis. Mas não há um fatalismo, nada é certo. Alguns doentes podem não ter a variação e não-doentes podem possuí-la.
Além do peso psicológico que estes seqüenciamentos pessoais carregam há ainda outras questões em jogo. Como uma empresa de seguros agiria tendo em mãos o perfil genético de seus clientes? Fica claro que a chance de quererem cobrar de forma diferenciada, simplesmente com base nas tendências, é grande. Cobrar por doenças que ainda não surgiram se é que vão surgir. O mesmo vale para a contratação em empresas. Além de provas, entrevistas e dinâmicas, uma gota de sangue poderia ser parte da seleção, e a contratação dependeria de seu perfil genético. Claro que isto seria a base para a descriminação genética, já imaginada no filme "Gattaca". Mas a sociedade parece estar se prevenindo. Leis que proíbem o uso de informações genéticas por empresas e que garantem a liberdade do indivíduo querer saber ou não essas informações estão sendo aprovadas nos Estados Unidos e discutidas por todo o mundo.
Referências:
Your Genes and Privacy - Louise M. Slaughter, Science 11 May 2007: Vol. 316. no. 5826, p. 797
All about Craig: the first 'full' genome sequence - Heidi Ledford,Nature Vol 449|6 September 2007
13 setembro 2007
Artigo deste blog publicado!
A revista PSIQUE se interessou pelo post "Genoma do homem de neandertal, e daí?" e pediu um artigo ampliado desenvolvendo o tema. O resultado é o artigo "Humano demasiado humano" publicado na edição 21 da revista Psique, neste mês de setembro. Esta pode ser encontrada numa banca de jornal perto de você.
12 setembro 2007
Liberais e conservadores: idéias diferentes, cérebros diferentes.

Não é difícil aceitar que nossos cérebros produzam nossos pensamentos. E que diferenças entre cérebros possam gerar as diferenças de pensamento de um indivíduo para outro. Mas difícil é aceitar essa idéia no dia-a-dia, aceitar que os nossos pensamentos são estruturados, e que seguem padrões e tendências neurofisiológicas. Talvez por isso uma notícia recente tenha causado espanto. Descobriu-se que pessoas classificadas politicamente como liberais ou conservadoras se mostram diferentes nas respostas a estímulos.
Um teste simples foi feito. Primeiro um questionário classifica se o indivíduo é liberal ou conservador; um teste de resposta "go\don´t go"(vai\não-vai) é aplicado e consiste em observar a aparição das letras M e W numa tela. Sempre que aparecer um M o indivíduo aperta uma tecla. Mas às vezes aparece um W e a tecla não deve ser apertada. Como 80% das vezes é um M que aparece e como o W se parece muito com a outra letra, a tendência é acabar apertando o botão quando o W aparece.
O resultado foi o seguinte: os liberais erraram menos, o que indica que respondem melhor a este teste. Como os participantes estavam ligados a um eletroencefalograma (aparelho que mede a atividade de regiões do cérebro) pôde-se perceber também que os liberais tinham uma maior atividade na região do cérebro que está ligada a analise e resolução de conflitos. Dá a entender que liberais se adaptam mais rápido a mudanças para corrigir suas respostas.
Isto quer dizer que liberais são melhores? Não sejamos precipitados. Ambas as estratégias existem há muito tempo ao longo da história humana. Isso provavelmente quer dizer que ambas são vantajosas. Qual a mais moral ou ética já é outra questão mais difícil de responder.
http://scienceblogs.com/cognitivedaily/2007/09/the_claim_politically_liberal.php
http://www.latimes.com/news/science/la-sci-politics10sep10,0,5982337.story?coll=la-home-center
06 setembro 2007
Humanos = 99% chimpanzés. Não, 97%. Ou melhor, 83%...
1% de que? Esta porcentagem, que ficou famosa em 1975, foi confirmada recentemente com o seqüenciamento do genoma do chimpanzé. Mas percebeu-se que este 1% (1,23% na verdade) se refere apenas a substituições de bases, ou seja, troca das moléculas que formam a seqüência do DNA. Trocar um A (adenosina) por um G (guanina), por exemplo. Mas os pesquisadores perceberam que estes 1,23% não levavam em conta trechos inteiros inseridos ou excluídos nos genomas. Levando isto em conta a porcentagem da diferença sobe para 3%. Analisando ainda as diferenças nos números de cópias de genes das duas espécies chegamos a 6,4% de diferença. E se considerarmos só os genes que estão funcionando em determinadas regiões de um tecido, por exemplo o cérebro, essa diferença de expressão pode chegar a 17%.
Na verdade é impossível calcular um número que defina a diferença absoluta entre qualquer espécie. Nas palavras de um pesquisador do consórcio para o seqüenciamento do chimpanzé: "No fim, nossas diferenças serão definidas no âmbito político, social e cultural". E talvez seja nisso que os evolucionistas citados no inicio do texto possam apostar suas fichas. Não na porcentagem molecular, mas no incalculável e inegável reconhecimento de algo quase humano no olhar de um chimpanzé.
Referência: 
05 setembro 2007
Híbrido animal-humano: o Frankenstein salvador de embriões humanos?

Embrião híbrido humano-animal. Seria isto um tipo de Frankenstein? Na verdade é o mesmo principio usado na clonagem da ovelha Dolly. Se pega um óvulo, retira-se o núcleo e introduz-se um novo núcleo de uma outra célula adulta. Só que neste caso o óvulo é de um animal qualquer e o núcleo de uma célula de algum tecido humano já adulto, como pele, mama, ou qualquer outro.
Este assunto entrou em pauta esta semana devido à aprovação do uso de embriões híbridos para pesquisa no Reino Unido.
Está técnica vem para ajudar os cientistas a estudar células embrionárias e tocar suas pesquisas em doenças como Alzheimer e Parkinson. Assim, não seria necessário o uso de embriões humanos para tais pesquisas. A idéia é não sacrificar humanos concebidos naturalmente, mas criar estes híbridos e não ter mais que enfrentar os famosos problemas éticos envolvidos em pesquisas com células-tronco embrionárias. Mas lembre-se que o embrião gerado possui 99,9% de genes humanos. Seria ele então um embrião "humano"? Não teria ele também os mesmos direitos? Bem, a Igreja Católica já respondeu mais no sentido de enfatizar sua posição de que embriões são seres humanos, e, portanto, merecedores de respeito. Como publicado no site G1 "No final de junho, o Papa Bento XVI lembrou da posição da Igreja Católica sobre o tema, que estipula que 'a investigação científica deve ser fomentada, mas não deve se desenvolver em detrimento dos outros seres humanos, cuja dignidade é intocável desde os primeiros momentos da existência'".
É, talves o híbrido não tenha vingado na arena da briga ética, mas é fato que traz vantagens técnicas para a pesquisa. Será que caímos no mesmo erro do Dr. Frankenstein, desumanizando nossa criação?
Importante dizer também que a regulamentação só foi autorizada após vários meses de consulta com a população. 61% dos britânicos foram a favor da autorização, e 25% se opuseram. O quanto essas pessoas entenderam do processo e suas implicações é sempre difícil saber, mas pelo menos alguém perguntou.
04 setembro 2007
DVD da Disney parece dificultar desenvolvimento de bebês

A Walt Disney company está em pé de guerra com uma faculdade dos EUA, por causa de uma pesquisa recente. Parece que a exibição de vídeos e DVDs para bebês, incluindo uma marca da Disney chamada "Baby Einstein", pode estar ligada a dificuldades no desenvolvimento de linguagem.
Este estudo foi publicado em agosto e concluiu que bebês com idade entre 8 e 16 meses que assistiram aos DVDs uma hora por dia pontuaram menos que outras crianças em um teste que avalia desenvolvimento comunicativo. Um dos pesquisadores chegou a dizer que prefere que os bebês assistam "American Idol" (a versão americada do programa "Ídolos") no lugar dos vídeos. Claro que a Disney se defendeu pondo em dúvida a seriedade do estudo, dizendo que a metodologia é duvidosa, os dados anômalos e as medições não confiáveis. Num comentário publicado na Nature, foi citado o porquê da agitação.
Esta pesquisa pisou num calo da Disney, que com essa linha de DVDs para bebês, pretende faturar U$ 1 bilhão de dólares até 2010. Mas mesmo a especialista em Desenvolvimento Infantil e Televisão convidada pela Disney para comentar a pesquisa não foi enfática na defesa da empresa. Disse apenas ter algumas discordâncias metodológicas, mas que algumas conclusões são válidas e motivam mais estudos no assunto.
11 abril 2007
Apocalipse é coisa do passado
Aqui vai um videozinho do Discovery Channel que mostra o pior deles, o permiano.
Perto desse, nosso aquecimento global é fichinha.
Vídeo
30 março 2007
Com dinheiro e saúde não se brinca.
Não vou discutir a droga em questão na notícia, mas quem trabalha com pesquisa em câncer sabe que existem mil-e-uma substâncias e/ou técnicas que podem reduzir tumores nessa proporção. Mas isto em ratos. Mexer com gente complica um pouco as coisas. Ratos e humanos têm diferenças que não podem ser esquecidas. Primeiro que suas fisiologias não são idênticas, ou seja, o que funciona em um pode não funcionar no outro. Aliás, pode funcionar bem mal. Segundo que homens têm algo que os ratos não têm: advogados. Pessoas que em seu desespero compram um medicamento pela Internet sem a opinião de um médico podem ser as mesmas que processarão uma industria farmacêutica, caso seu antiinflamatório lhes cause um enfarte (caso que ocorreu com o Vioxx).

Um medicamento, para chegar às farmácias, tem que passar por testes e mais testes. São os chamados testes clínicos. Inicialmente uma droga nova é testada em ratos, depois em macacos e aí então se parte para humanos. Começam os testes com no máximo 100 pessoas, não para ver se a droga funciona, mas para ver se a droga não tem nenhum efeito colateral. Acompanha-se de perto os pacientes por um bom tempo até se ter certeza que está tudo bem. Então se passa para mais 1000 pessoas. Ainda aqui o objetivo não é testar a eficiência da droga, mas sim a sua segurança. Após o acompanhamento destes pacientes é que se passa para a outra etapa com mais umas 10 mil pessoas, quando será avaliada a segurança e a eficácia da substância.
Todo esse esforço, tempo e dinheiro se justificam, pois é a segurança dos doentes/consumidores que está em jogo. Além, é claro, da segurança financeira das industrias farmacêuticas. E todos sabem que com dinheiro e saúde não se brinca.
notícia recente
29 março 2007
Economize tempo na internet
Basicamente é uma pagina de Internet que pode ser editada para ter janelas que se atualizam automaticamente com as manchetes do seu jornal de escolha, por exemplo. Você pode ter uma janelinha do Google, outra da Folha de S. Paulo, outra do Estadão, uma de previsão do tempo e outra do seu blog favorito na mesma página da web, e atualizadas em tempo real. Tudo que você tem a fazer é conferir se o site que você quer incluir possui esse tipo de serviço. É só reparar neste simbolozinho aqui:

(procure na maioria das págians por aí, você vai se surpreender em nunca ter dado bola para ele).
O formato, criado em 1997, usa a tecnologia XML (Extensible Markup Language) para a publicação automática de conteúdo e links de um site em outros. Também permite o uso de programas conhecidos como leitores RSS ou agregadores, que reúnem o conteúdo de diversos sites em uma só interface.
Os arquivos RSS (Really Simple Syndication) --também chamados de feeds-- trazem o título e o primeiro parágrafo das notícias, além de um link "Leia mais", que remete para o site de origem e permite ler o texto completo.
Entre no site do netvibe e leia as instruções. Para adicionar este blog que vos fala no seu netvibe é só adicionar um feed com este endereço: http://rnam.blogspot.com/atom.xml



