Apocalipse? Qual deles? O do cambriano, do permiano, ou o do cretácio?
Aqui vai um videozinho do Discovery Channel que mostra o pior deles, o permiano.
Perto desse, nosso aquecimento global é fichinha.
Vídeo
11 abril 2007
30 março 2007
Com dinheiro e saúde não se brinca.
Em notícia recente, foi divulgado que uma nova droga está funcionando muito bem para o tratamento de câncer, reduzindo em até 75% o tamanho dos tumores em apenas 3 semanas. O que mais chama atenção na noticia, porém, é o fato de que alguém está vendendo esta droga pela Internet. E se ela funciona, qual o problema de comercializá-la, não é mesmo? O problema é que ela ainda não foi testada em humanos!
Não vou discutir a droga em questão na notícia, mas quem trabalha com pesquisa em câncer sabe que existem mil-e-uma substâncias e/ou técnicas que podem reduzir tumores nessa proporção. Mas isto em ratos. Mexer com gente complica um pouco as coisas. Ratos e humanos têm diferenças que não podem ser esquecidas. Primeiro que suas fisiologias não são idênticas, ou seja, o que funciona em um pode não funcionar no outro. Aliás, pode funcionar bem mal. Segundo que homens têm algo que os ratos não têm: advogados. Pessoas que em seu desespero compram um medicamento pela Internet sem a opinião de um médico podem ser as mesmas que processarão uma industria farmacêutica, caso seu antiinflamatório lhes cause um enfarte (caso que ocorreu com o Vioxx).
Um medicamento, para chegar às farmácias, tem que passar por testes e mais testes. São os chamados testes clínicos. Inicialmente uma droga nova é testada em ratos, depois em macacos e aí então se parte para humanos. Começam os testes com no máximo 100 pessoas, não para ver se a droga funciona, mas para ver se a droga não tem nenhum efeito colateral. Acompanha-se de perto os pacientes por um bom tempo até se ter certeza que está tudo bem. Então se passa para mais 1000 pessoas. Ainda aqui o objetivo não é testar a eficiência da droga, mas sim a sua segurança. Após o acompanhamento destes pacientes é que se passa para a outra etapa com mais umas 10 mil pessoas, quando será avaliada a segurança e a eficácia da substância.
Todo esse esforço, tempo e dinheiro se justificam, pois é a segurança dos doentes/consumidores que está em jogo. Além, é claro, da segurança financeira das industrias farmacêuticas. E todos sabem que com dinheiro e saúde não se brinca.
notícia recente
Não vou discutir a droga em questão na notícia, mas quem trabalha com pesquisa em câncer sabe que existem mil-e-uma substâncias e/ou técnicas que podem reduzir tumores nessa proporção. Mas isto em ratos. Mexer com gente complica um pouco as coisas. Ratos e humanos têm diferenças que não podem ser esquecidas. Primeiro que suas fisiologias não são idênticas, ou seja, o que funciona em um pode não funcionar no outro. Aliás, pode funcionar bem mal. Segundo que homens têm algo que os ratos não têm: advogados. Pessoas que em seu desespero compram um medicamento pela Internet sem a opinião de um médico podem ser as mesmas que processarão uma industria farmacêutica, caso seu antiinflamatório lhes cause um enfarte (caso que ocorreu com o Vioxx).

Um medicamento, para chegar às farmácias, tem que passar por testes e mais testes. São os chamados testes clínicos. Inicialmente uma droga nova é testada em ratos, depois em macacos e aí então se parte para humanos. Começam os testes com no máximo 100 pessoas, não para ver se a droga funciona, mas para ver se a droga não tem nenhum efeito colateral. Acompanha-se de perto os pacientes por um bom tempo até se ter certeza que está tudo bem. Então se passa para mais 1000 pessoas. Ainda aqui o objetivo não é testar a eficiência da droga, mas sim a sua segurança. Após o acompanhamento destes pacientes é que se passa para a outra etapa com mais umas 10 mil pessoas, quando será avaliada a segurança e a eficácia da substância.
Todo esse esforço, tempo e dinheiro se justificam, pois é a segurança dos doentes/consumidores que está em jogo. Além, é claro, da segurança financeira das industrias farmacêuticas. E todos sabem que com dinheiro e saúde não se brinca.
notícia recente
29 março 2007
Economize tempo na internet
Aqui vai só uma dica pra quem quiser economizar tempo na Internet. Todo dia você acessa todos os sites de notícia, blogs, email e busca, um por um? Existe um site que junta tudo isso num lugar só! www.netvibes.com. É uma ferramenta fantástica! Totalmente online (não precisa baixar nada) e totalemnte personalizável.
Basicamente é uma pagina de Internet que pode ser editada para ter janelas que se atualizam automaticamente com as manchetes do seu jornal de escolha, por exemplo. Você pode ter uma janelinha do Google, outra da Folha de S. Paulo, outra do Estadão, uma de previsão do tempo e outra do seu blog favorito na mesma página da web, e atualizadas em tempo real. Tudo que você tem a fazer é conferir se o site que você quer incluir possui esse tipo de serviço. É só reparar neste simbolozinho aqui:
(procure na maioria das págians por aí, você vai se surpreender em nunca ter dado bola para ele).
O formato, criado em 1997, usa a tecnologia XML (Extensible Markup Language) para a publicação automática de conteúdo e links de um site em outros. Também permite o uso de programas conhecidos como leitores RSS ou agregadores, que reúnem o conteúdo de diversos sites em uma só interface.
Os arquivos RSS (Really Simple Syndication) --também chamados de feeds-- trazem o título e o primeiro parágrafo das notícias, além de um link "Leia mais", que remete para o site de origem e permite ler o texto completo.
Entre no site do netvibe e leia as instruções. Para adicionar este blog que vos fala no seu netvibe é só adicionar um feed com este endereço: http://rnam.blogspot.com/atom.xml
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O formato, criado em 1997, usa a tecnologia XML (Extensible Markup Language) para a publicação automática de conteúdo e links de um site em outros. Também permite o uso de programas conhecidos como leitores RSS ou agregadores, que reúnem o conteúdo de diversos sites em uma só interface.
Os arquivos RSS (Really Simple Syndication) --também chamados de feeds-- trazem o título e o primeiro parágrafo das notícias, além de um link "Leia mais", que remete para o site de origem e permite ler o texto completo.
Entre no site do netvibe e leia as instruções. Para adicionar este blog que vos fala no seu netvibe é só adicionar um feed com este endereço: http://rnam.blogspot.com/atom.xml
04 dezembro 2006
Psicologia do Dinheiro

É de conhecimento geral que o dinheiro mexe com as pessoas. O que não se sabia era o fato de que apenas pensar em dinheiro fosse algo tão poderoso a ponto de alterar as ações das pessoas.
Isto foi comprovado recentemente em um estudo realizado com centenas de estudantes universitários que foram testados em diferentes experimentos. Todos estes experimentos foram realizados basicamente da mesma forma. As pessoas a serem testadas foram divididas em dois grupos, sendo que um deles tomou contado com palavras que indiretamente lembravam dinheiro, tais como “sucesso financeiro”ou “salário alto”, dentro de um jogo de palavras. O outro grupo jogou o mesmo jogo, mas sem palavras que se relacionavam a dinheiro. Após este jogo vários testes foram feitos, tais como observar o tempo que as pessoas testadas levavam para pedir ajuda para resolver um problema, ou mesmo o número de lápis que a pessoa recolhia quando alguém derrubava uma caixa cheia deles.
Os resultados são claros: o grupo do dinheiro demorou o dobro do tempo para pedir ajuda; recolheu bem menos lápis caídos; ofereceu menos tempo de sua ajuda para outra pessoa; preferiu atividades solitárias, como uma aula individual de cozinha, a um jantar com mais quatro pessoas de sua escolha. O simples fato de ficar em uma sala com dinheiro de brinquedo ou um quadro com cédulas antigas já alterava os padrões de reação das pessoas testadas.

E fica clara qual a tendência desta reação gerada pelo dinheiro. Tende à auto-suficiência de maneira individualista. Quando se trata de dinheiro, não se quer depender de ninguém e não se quer ter dependentes.
É realmente incrível como uma palavra ou uma imagem podem ter efeitos tão diretos nas nossas tomadas de decisão. E nos resta ficar atentos aos publicitários e economistas e ao que eles podem fazer de posse desse conhecimento.
27 novembro 2006
Genoma do Homem de Neandertal. E daí?

Dois artigos publicados recentemente nas revistas Nature e Science deram o pontapé inicial para o sequenciamento do genoma do Homem de Neandertal (Homo neandertalensis). Mas, e daí? Porque seqüenciar uma espécie extinta?
Bom, para início de conversa, esses artigos são importantes pois desenvolveram técnicas de coleta, sequenciamento e análise de DNA muito antigo, e por isso mesmo muito degradados pelo tempo, coisa que até pouco tempo era impossível de se conceber.
Mas o mais importante é que esses trabalhos possibilitaram algo muito importante para o conhecimento do homem: a comparação entre o Homo neandertalensis e nós, Homo sapiens.
A espécie viva até hoje que mais se assemelha ao homem é o chimpanzé. E olhando assim para eles, nem parecem tanto assim com a gente. Mas sabe-se que só 1% do genoma dos chimpanzés é diferente do nosso. 1% que foi o suficiente para nos dar as características que nos separam desses macacos.
O Homo neandertalensis foi a espécie mais próxima evolutivamente de nós, e por isso a mais parecida conosco que já existiu. Estima-se que nossos genomas se diferem em apenas 0,5%. Esses hominídeos tinham um corpo muito parecido com o nosso, só eram um pouco mais atarracados (mais baixos e troncudos), com alguns ossos do crânio mais salientes, um nariz bem largo e achatado e, o mais intrigante, um volume cerebral maior que o do homem moderno! Além disso eles desenvolveram habilidades únicas até então: inventaram ferramentas como a agulha, confeccionavam roupas de couro, tratavam esse couro, desenvolveram as pedras lascadas fabricando machados e martelos. Mas então, o que os tornava diferentes de nós? Algo que realmente só o Homo sapiens desenvolveu na face da Terra: abstração.
Mesmo possuindo um cérebro maior e sendo capazes de fabricar ferramentas mais bem acabadas do que os sapiens, os neandertalensis nunca foram capazes de adornar suas machadinhas, pintar suas cavernas com figuras abstratas ou fazer rituais fúnebres religiosos. Acredita-se hoje em dia que o cérebro dos neandertalensis, apesar de grande, era compartimentalisado, ou seja, não integrava os pensamentos. Comparando os cérebros do neandertalensis e do sapiens, acredita-se que o cérebro do primeiro seria como uma caixa de ferramentas, enquanto que o do segundo seria um canivete suíço. Assim, a maior interação entre as diferentres partes do cérebro do homem atual seriam a explicação para a redução do volume (da caixa de ferramentas para o canivete) e também um dos fatores para a origem da abstração.
Assim, descobrir as pequenas diferenças entre o genoma do neandertalensis e do sapiens, pode nos dar muito boas dicas de como ocorreu o primeiro estalo que nos fez abstrair, imaginar, e criar, ou seja, o que nos fez humanos.
(Muitos destes artigos são de acesso restrito, principalmente Nature e Science. É uma pena que se restrinja acesso a esse tipo de informação. Surge assim mais uma justificativa para meios de divulgação cientifica como este blog.)
16 novembro 2006
O roedor fiel.

Muitos dizem que a monogamia não é vantajosa (principalmente para machos), porque se é possível copular com várias parceiras, as chances de se ter mais filhos é maior. E não há dúvida que o objetivo de todo ser vivo é procriar, pois não só Darwin diz isso, mas o próprio Deus recomendou: “Multiplicai-vos!”. E muitos homens têm usado este argumento para defender sua promiscuidade. Mas não vou me ater à questão da vantagem, ou adaptabilidade, da fidelidade, ou seja, ao “por quê” dela, mas sim ao “como”.
Podemos definir monogamia como uma organização social, na qual cada indivíduo de um casal é mais seletivo e tem preferências com relação ao parceiro de cópula e convivência, com o qual divide o mesmo ninho e o cuidado com os filhotes. E veja que nessa definição não se exige exclusividade sexual total de parceiro. Sendo assim, veremos que apenas 3 a 5% dos mamíferos são monogâmicos.
Um desses mamíferos monogâmicos que vêm sendo estudados é um roedor do gênero Microtus e acabou se tornando um modelo de roedor “fiel”. Com ele descobriu-se que a formação de casais pode ser influenciada molecularmente, através de substâncias liberadas no cérebro. Em machos isto é influenciado pelo hormônio vasopressina (também ligada ao comportamento típico de machos como agressividade, marcação de território e côrte) e em fêmeas pela oxitocina (ligada à amamentação e à relação com filhote). Os estudos feitos consistiam em injetar vasopressina e oxitocina no cérebro de machos e fêmeas, respectivamente, e reparou-se que isto acelerava a formação de casais. E ao injetar substâncias que anulam o efeito desses dois hormônios impedia o enlace. O interessante é que os cérebros de espécies de roedores muito parecidas mas que não são monogâmicas são muito menos sensíveis a essas substâncias, e isto porque os poligâmicos têm menos receptores de oxitocina ou vasopressina que os monogâmicos, isto em áreas do cérebro relacionadas à formação de casais (seriam essas substâncias o tão procurado elixir do amor?).
Agora mais um dado curioso: não há dúvida de que a cópula gera prazer, e sabe-se que o prazer está ligado à dopamina. Mesmo o prazer de comer está ligado a esta substância, e esse sistema gera uma aprendizagem: o que nos dá prazer pode nos dar prazer de novo, então porque não ir atrás deste prazer novamente? É assim que aprendemos como ou onde saciar nossa fome, ou como e onde obter sexo. Assim, como sexo é recompensa, e é ela que nos faz aprender, quando a recompensa se relaciona com algum outro estímulo, um cheiro por exemplo, ocorre um tipo de aprendizado. Assim um Microtus, que é muito sensível ao olfato, ao copular relaciona este prazer (dopamina) ao cheiro do(a) companheiro(a), formando assim um casal que aprendeu a ter prazer mutuamente. É interessante observar que este sistema da dopamina é o mesmo usado por drogas como a cocaína para gerar dependência.

Formado o casal, como mantê-lo? O que garante que um indivíduo do casal não descubra que também pode obter prazer “pulando a cerca”? Fácil, é só diminuir os receptores de dopamina que interagem com o estímulo do cheiro. E é isso que acontece nestes roedores: depois que o casal é formado diminuem os receptores que interagem prazer e cheiro, assim um novo cheiro não vai causar o mesmo efeito que o do parceiro, não deixando um novo casal se formar.
Assim, resumindo, a formação de casais nesses roedores depende da interação entrsistema de reconpensa da dopamina e o sistema de reconhecimento social. E isso nos faz pensar: será o amor um vício, como a cocaína? Até que ponto o Microtus “escolhe” seu parceiro? E em humanos, como ocorre a seleção de parceiros?
Uma coisa é certa: se Deus, o criador dos animais, por meio das moléculas disse “multiplicai-vos”, para algumas espécies Ele disse também, “multiplicai-vos, mas apenas com um(a) parceiro(a)!”
O neurocientista milionário

Muita gente pode não entender o porquê de se estudar neurociências, já que estas estão tão distantes do grande público.
Mostrar que essas ciências têm muito a oferecer para nosso auto-conhecimento, tanto no nível individual como no de nossa espécie como um todo, é difícil especialmente hoje em dia, onde as pessoas acreditam que haja mais rigor cientifico na psicanálise que em estudos neuro -comportamentais, -fisiológicos, -genéticos, etc. Uma pergunta que as pessoas se façam talvez seja: “Para que gastar tempo e dinheiro em pesquisa básica de neuro se há coisas mais urgentes para resolver como HIV, hipertensão e câncer? Deixe o cérebro para os clínicos que está muito bom.”
Por isso, muitas pessoas podem se espantar com Ogi Ogas, o doutorando em neurociências que ganhou recentemente um milhão de dólares no “Show do Milhão” americano (Who Wants to Be Millionaire) usando seu conhecimento sobre memória, aprendizado e tomada de decisão. Sendo esses seus temas de estudo, ele descreve em um artigo como se utilizou objetivamente do seu conhecimento sobre o mecanismo de funcionamento do cérebro para responder as perguntas cabeludas do programa. Técnicas como ficar revolvendo e repetindo o que lhe vem à mente quando feita a pergunta e associar a contextos não diretamente relacionados à resposta, mas que podem ressuscitar lembranças úteis, são algumas que Ogi explica e justifica em seu artigo. Até mesmo o que se sabe cientificamente sobre a intuição foi utilizado por Ogi para suas tomadas de decisão.
A descrição fisiológica das reações emocionais sentidas por ele durante o jogo são um gracejo cientifico que reforça a necessidade de se ler o artigo de Ogi.
Assim, se perguntado o porquê das neurociências, e argumentos nobres como auto-conhecimento e aplicabilidade não forem suficientes, a resposta que pode encerrar a discussão hoje em dia talvez seja: “Bom, um cara ficou milionário por estudar isso”.
27 julho 2006
Apresentações

Com o fim maior de dar mais credibilidade ao que for escrito neste blog, acho que é necessário apresentar quem o faz.
Sou formado em ciências biológicas pela UNESP - Rio Claro, doutorando pela Biotecnologia da USP, trabalhando no Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Mais especificamente no Setor de Vetores Virais, construindo e caracterizando vetores virais, tendo como foco a terapia gênica. Tenho interesse por assuntos como Biologia Molecular, Evolução e Neurociências, e é sobre isso que pretendo postar. E postarei periodicamente, portanto volte sempre de tempos em tempos para uma olhadinha.
Fique a vontade para cometar e criticar.
Obrigado
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