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29 janeiro 2008

Eu Sou a Lenda 2: o microondas

Nasce mais uma lenda urbana. Nada novo na verdade, pois em se tratando de microondas as lendas são inúmeras, e se dependesse delas os microondas estariam banidos da face da terra.


Este email que recebi, e em busca na internet percebi que muita gente pelo mundo recebeu, fala sobre os riscos em aquecer comida em recipientes plásticos ou congelar água em garrafas plásticas. Essas ações liberariam dioxinas que seriam prejudiciais e poderiam gerar câncer.

O email apesar de ser bem feito, com fotos ilustrativas, não passa de uma bravata alarmista.


Dioxinas estão ainda sendo estudadas. Seus efeitos parecem ocorrer apenas em grandes quantidades, quando plástico é queimado. As embalagens especiais para microondas são normalmente certificadas por agências de saúde, sendo que a quantidade liberada é muito pequena e segura. É o que diz a Associação Brasileira de Câncer e o dr. Rolf Halden do Hospital Jonhs Hopkins, hospital este que é citado no email como fonte do alarme contra as dioxinas.


Uma coisa que me chamou atenção foi que no email, quando é citada a fonte do alarme (uma entrevista de 2 minutos com um doutor de um hopital do Hawai), a palavra TELEVISÃO está em maiúsculas como aqui. Como se o fato de maior importância para a credibilidade da notícia fosse o fato de ela ter passado na TV. Está mais do que na hora das pessoas saberem que quase todos, senão todos os veículos de notícia, não possuem um assessor cientifico. Se não podemos nem acreditar na TV como podemos repassar uma notícia de email?


Uma dica, não acredite cegamente em nada. Nem da TV e muito menos da internet. É aí que encontramos um problema: este blog está também na internet! Bom, a única coisa que posso falar em minha defesa é: estou sempre aberto a críticas.



Mas que o microondas pode ser perigoso, ah isso pode:

24 janeiro 2008

“Eu sou a lenda” e o deserto do real

Um motivo inusitado me levou ao cinema esta semana. Não que eu não vá ao cinema regularmente, apenas o motivo desta vez foi diferente.

O filme "Eu Sou a Lenda" com Will Smith é um bom filme de entretenimento. Divertido, ele abusa de uma fantasia recorrente nas pessoas: e se somente eu sobrasse no mundo? Eu prometo não contar o final nem muitos detalhes do filme, apenas algumas coisas que aparecem bem no começo. O que se revela logo no inicio do filme é justamente o meu motivo especial. Uma entrevista com uma cientista falando que usando um vírus modificado foram capazes de curar o câncer. A metáfora usada é até bem feliz: imagine que o seu corpo é uma estrada, e um vírus um carro muito veloz com um motorista muito mau. Agora imagine que substituímos o motorista mau por um policial. Bom, isto não é pura ficção. Aliás, é com isso que eu trabalho no dia-a-dia. Trocando quem está por trás da direção do vírus.


O que nós fazemos é trocar alguns pedaços do DNA do vírus por outros que podem matar as células de câncer. É isso que chamamos de Terapia Gênica. Usamos genes, que são trechos de informação de DNA, ao invés de remédios comuns. As vantagens? Ao invés de tomar um remédio, que pode se espalhar pelo corpo todo, um vírus pode carregar o "gene-remédio" para apenas algumas células específicas, como as de câncer por exemplo. Claro que a história não é assim tão simples. Podemos usar vários vírus, e manipulá-los de diversas maneiras. E os focos sempre são dois: eficácia no tratamento e segurança. A principal preocupação é evitar que o vírus que usamos, que pode ser derivado da gripe, por exemplo, cause uma infecção de gripe. O que fazemos é tirar todo o DNA possível do vírus original.



Esses vírus são tão seguros que até mesmo vírus derivados do HIV são usados, pois eles não possuem a informação que o permite infectar as células a sua maneira. Mesmo alguns vírus já sendo tão seguros ainda não são usados amplamente na medicina. Simplesmente por se tratar de um organismo estranho ao corpo humano, os cuidados são redobrados, e as agências reguladoras das pesquisas são muito conservadoras, e com razão, nesse tipo de assunto. Muitos estudos em humanos estão sendo feitos, e estes pacientes devem ser observados por muito tempo para nos assegurarmos de que é seguro.


Até aqui só falamos da primeira cena do filme e o seu paralelo na realidade. Agora vem a segunda cena: a cidade de Nova Iorque totalmente abandonada, varrida por uma epidemia deste vírus apenas três anos após a fictícia entrevista da cientista. Não se explica o que aconteceu de maneira clara. Parece que o vírus sofreu uma alteração aleatória que o transformou em um matador transmitido pelo ar.


Isso me faz perguntar se as pessoas que assistem a este tipo de filme se impressionam com as informações "científicas" a ponto de a usarem como base para seus julgamentos. Gente falando, por exemplo, "aquele filme mostra como a ciência pode ser destrutiva." Como o espectador pode saber até que ponto a informação do filme tem base no real (terapia gênica é real) ou é imaginação pura (o vírus usado na terapia não pode ser mais perigoso que o vírus que o originou). Este filme faz um serviço de divulgação científica ou um desserviço ao dar uma perspectiva catastrófica?


Não quero ser o chato a censurar a arte pelo rigor científico. O que me preocupa é a falta de conhecimento básico sobre ciência na população. Não que todos precisem de conhecimentos em biologia molecular, mas o pensamento crítico, tão característico da ciência, seria de grande ajuda para qualquer um poder interpretar a arte e a vida real de maneira mais profunda e proveitosa.

04 janeiro 2008

Geladeiras de laboratório

Essa é para os ratos de laboratório. Afinal, diga-me como é a geladeira do teu laboratório e eu te direi quão rígido teu laboratório é.

Aqui estão alguns diagramas das geladeiras mais comuns no mercado da pesquisa mundial.
Quem não encontrar algo que seja similar em sua geladeira que atire o primeiro tubo de ensaio!

fonte: PhDComics - site de quadrinhos sobre pós-graduandos


fonte: Evolgen - ganhador do prêmio de melhor postagem cômica em blogs de ciência de 2007

22 dezembro 2007

Folheando virtualmente livros antigos

Aqui vai o site interessantíssimo da Biblioteca Britânica, com destaque para a parte que possibilita folhear os livros virtualmente. De DaVinci a Alice no País da Maravilhas original.
Ligue o som e ouça explicações sobre o livro escolhido enquanto o folheia.

British Library - Turning the Pages

Cuidado com o que você bebe nas festas de fim de ano

Vários são os problemas associados à bebida, e todos nós conhecemos muitos destes efeitos. Mas sempre podemos nos surpreender.
Veja esta imagem vinculada no site do "British Medical Journal":



Sim, isto é uma tampinha de cerveja no esôfago do cidadão, que ao comemorar a vitória de seu time, tomou cerveja na taça da vitória e acabou tendo uma desagradável surpresa.

Parece que a espumante seria a opção mais segura nestas festas de fim de ano, pela dimensão da rolha que impediria a ingestão. Mas cuidado com aquele arame de segurança que envolve essas rolhas.
Talvez a melhor opção seja realmente não passar muito do ponto.

Boas Festas

Revista lista sete mitos da medicina que enganam até médicos

Do G1, em São Paulo

“Às vezes, até os médicos se enganam”, dizem os pesquisadores ingleses Rachel C. Vreeman e Aaron E. Carroll em artigo publicado neste fim de semana no "British Medical Journal", na Inglaterra. Segundo o estudo, muitos dos médicos sabem que precisam atualizar seu conhecimento com freqüência, mas acabam não questionando algumas crenças populares relacionadas à saúde.

Os principais mitos são:

As pessoas devem beber pelo menos oito copos de água por dia
“Não existe nenhuma evidencia médica para sugerir essa quantidade específica”, diz o artigo. Segundo os pesquisadores, o mito pode ter surgido em 1945, depois que o Conselho de Nutrição da Inglaterra passou a recomendar oito copos de "fluidos" por dia. A diferença é que esses fluidos incluíam frutas, vegetais, café, leite e outros líquidos. O estudo lembra que o excesso de água pode ser perigoso.

Apenas 10% do cérebro é usado
Normalmente creditada de forma errônea a Albert Einstein, a crença provavelmente surgiu no início do século 20, quando as pessoas queriam incentivar a população a atingir todo seu potencial. Mas ela está longe da verdade segundo estudos recentes. Pesquisas que analisam imagens do cérebro e o metabolismo das células cerebrais apontam para a inexistência de áreas inativas no cérebro.

Cabelo e unhas continuam crescendo após a morte
Impossível. O que acontece, segundo os pesquisadores, é que a pele da pessoa morta se resseca e encolhe, o que faz com que unhas e cabelos fiquem mais proeminentes.

Raspar a cabeça faz o cabelo crescer mais rápido, mais escuro e menos liso
“Fortes evidências científicas negam esta crença”, diz o artigo do British Medical Journal. Um estudo realizado em 1928 de fato comparou o formato de cabelo raspado com o cabelo não-raspado para concluir que ele não cresce mais rápido, nem mais grosso. Os pesquisadores dizem que a aparência de ser mais escuro se dá porque o cabelo mais recente ainda não perdeu cor, o que acontece naturalmente com o tempo.

Ler com pouca luz estraga a visão
É verdade que ler com pouca luz cansa a visão, e pode diminuir temporariamente sua capacidade, mas nenhum estudo encontrou danos permanentes por causa disso.

Comer peru deixa as pessoas sonolentas
O estudo reconhece que muitas vezes as pessoas comem peru e se sentem dessa forma, mas dizem que isso se dá pelo fato de a ave ser normalmente consumida em grandes banquetes e festas, especialmente de fim de ano, acompanhado e álcool e outras substâncias que podem causar sono. O estudo admite que o peru tem triptofano, substância química envolvida no controle do sono, mas diz que a ave tem tanto dela quanto galinhas e mesmo carnes vermelhas.

Celulares podem causar interferência em hospitais
Nenhuma morte foi registrada até agora por causa de interferência de celulares em equipamentos hospitalares, mas de fato já foram reportadas interferências menores e menos sérias. A pesquisa aponta, entretanto, que o uso de celulares pelos médicos melhora o fluxo de comunicação e pode ajudar em seu trabalho de tratar os pacientes.

20 dezembro 2007

Sonho de consumo - Camiseta com mapa do genoma humano

Capa da revista Science deste fim de ano com os destaques de 2007.

18 dezembro 2007

Museu Criacionista na revista MAD

- Do blog Pharyngula

Na última edição da revista americana Mad há uma relação de fim de ano com as 20 pessoas, eventos ou coisas mais idiotas de 2007. Olha só qual é a #14.




Na imagem lê-se: "Finalmente há prova cabal de que a teoria da evolução está errada! Para provar que a inteligência do homem não evoluiu em todas essas eras vejam estes imbecis com cérebro de Cro-magnon que abriram recentemente o Criation Museum, em Petersburg, Kentucky. O museu não só afronta a ciência como a ignora por completo! É o único lugar no mundo onde se pode ver um homem cavalgando um dinossauro - exceto, é claro, em um episódio dos Flintstones."

A piada dos Flintstones se refere ao fato de que os homens nunca chegaram perto de um dinossauro, pois estes já haviam se extinguido muito tempo antes do primeiro do gênero Homo.

Mas este museu não é o único lugar em que se pode ver humanos montando dinossauros. Aqui no RNAm também! Veja estas imagens achadas por um amigo e que realmente me intrigam. Quem teria feito isso e por quê?

17 dezembro 2007

Biotecnologia a serviço das meias indestrutíveis


17/12/2007 - 08h18
Japoneses criam "superfibra" de bicho-da-seda com gene de aranha

da BBC Brasil

Cientistas japoneses conseguiram implantar genes da aranha em bichos-da-seda para a criação de uma fibra duas vezes mais resistente que a seda comum --e que será usada na fabricação de meias especiais.
O novo produto, desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade Shinshu, da província japonesa de Nagano, foi apresentado como sendo ultra-resistente. A fibra produzida pelo bicho-da-seda geneticamente alterado é composta de cerca de 10% de seda de aranha e 90% da seda que a larva produz para criar seu casulo.
A fabricante de meias japonesa Okamoto é uma das patrocinadoras da pesquisa e planeja usar a nova fibra na fabricação de meias mais fortes e mais elásticas.


Pois é, não sou mulher, portanto não sei se vale mesmo a pena alterar geneticamente um organismo para ter meias indestrutíveis.

16 dezembro 2007

A química e a genética do amor


Acabou de entrar no ar uma empresa de serviços online para solteiros que querem achas seus companheiros ideais. Mas este site, ao contrário dos milhares que já existem nesta área, vem com uma idéia nova. Agrupar as pessoas pelo DNA.


Um fato da teoria evolutiva é que a diversidade propicia evolução. Principalmente se a diversidade for do sistema imune. Portanto quanto mais diferente entre si for o sistema imune dos pais, uma criança vai ter uma defesa maior a infecções, um maior repertório para responder a microorganismos.


Se esta informação estivesse só no DNA não conseguiríamos escolher as pessoas com sistema imune diferente do nosso, e a coisa seria aleatória. Mas alguns estudos têm mostrado que preferimos o odor natural de pessoas que têm o sistema imune mais diferente do nosso. Ou seja, os humanos usam o faro para ajudar na decisão de escolha de parceiro.


Foi apostando nisto que o idealizador do site de encontros montou seu negócio. Por 1.995 dólares você recebe um kit para coletar células raspadas de sua boca e enviar para um laboratório que seqüenciará essas regiões de diversidade do sistema imune, conhecidas como MHC. Claro que há um questionário como em todos os sites de encontros, talvez perguntas como qual seu hobbie ou comida preferida. Somando tudo isto, personalidade e genética, a promessa é de achar o seu par perfeito, com quem vai rolar aquela química, como promete o site.


Caso este site realmente funcione acima da média dos outros sites de encontro, será a prova de que em relações humanas os opostos se atraem.


Links:

K. Grens, "Darwin hits dating," The Scientist, June 28, 2007.
http://www.the-scientist.com/news/display/53296/

N. Atkinson, "Match 'n' sniff: The MHC T-shirt conundrum," The Scientist, September, 2006.
http://www.the-scientist.com/2006/9/1/32/1/

Garver-Apcar C.E. et al., "Major histocompatibility complex alleles, sexual responsivity, and unfaithfulness in romantic couples," Psychol Sci, 17:830-5, 2006.
http://www.the-scientist.com/pubmed/17100780