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13 agosto 2008

Mudança de endereço deste blog

Em alguns segundos você será redirecionado ao novo RNAmensageiro


Atenção, este blog está mudando de endereço. Por quê? Para participar do primeiro compilador de blogs científicos da língua portuguesa!
São os melhores blogueiros de divesas áreas da ciência. Por melhor entenda, melhor conteúdo e maior produção de postagens.

O compilador é o http://lablogatorios.com.br

E meu endereço lá é: http://lablogatorios.com.br/rnam/

Quem lê por feed pode já estar sendo redirecionado. Caso não, atualize pelo link do novo site.

Livro "Genes contra doenças" promete explicar terapia gênica


Ainda não li, confesso. Mas assino embaixo pela confiança no autor. O Rafael Linden entende do assunto de terapia gênica. Só não entende mais disso do que de morte celular programada, sua especialidade. Enfim, o livro fala sobre a terapia gênica (área em que meu laboratório atua) de forma palatável para não-especialistas.

"O princípio da terapia gênica é relativamente simples: introduzir no organismo de uma pessoa doente, com uso da técnica de DNA recombinante, um gene sadio responsável por codificar uma proteína que terá um efeito terapêutico. No livro, que inclui um glossário, procurei definir todos os termos técnicos da forma mais clara possível", disse à Agência FAPESP.


Afinal, por que usar remédios, que nada mais são que proteínas na maior parte dos casos, se nós poderíamos fazer as próprias células do paciente produzirem a proteína para o tratamento?

Como a coisa também não é tão fácil assim, as pesquisas continuam (ainda bem, porque é o que garante a minha bolsa).

Assim que eu ler o livro conto o que achei. E, apesar de conhecer a propriedade do autor neste tema, não duvide que tentarei criticá-lo com justeza.

08 agosto 2008

A prepotente vergonha da medicina


Em conversa sobre uma palestra que havia acabado de ser proferida em meu laboratório, um dos médicos pesquisadores fez um comentário que me chamou muito a atenção. Ele falava de como alguns anos após uma cirurgia de safena (quando se retira uma veia da perna e a coloca no lugar de uma artéria entupida), a veia substituta oclui, ou seja, se fecha. “É vexativo quando após dez anos da operação da safena ela se fecha.”

Ouvir isto faz parecer que a medicina já esta num estágio tão avançado que pode se gabar de sentir vergonha por não conseguir algum resultado desejado.

Que medicina super-avançada é esta que precisa retirar uma veia do corpo do próprio paciente e colocá-la no local desejado. Bom, esse simplesmente é o caminho mais lógico, direto e óbvio para resolver o problema. Ou seja, nada muito sofisticado. E assim é a maioria dos tratamentos usados hoje em dia. Muitas bulas eu já li e li o seguinte em muitas: “o mecanismo de ação deste composto não está totalmente descrito”. Tomamos remédios no escuro? Em parte sim. Nestes casos sabemos que na maioria das pessoas não faz mal e resolve o problema. Então vamos usando, quando soubermos o mecanismo de funcionamento, ótimo, mas enquanto não fizer mal, continuemos tomando. E nada mais correto.

Mas vexativo? Vergonhoso? Vergonha de que? Vergonha de perder para a natureza? De se sentir incapaz perante a complexidade da fisiologia humana?

A medicina tem que se sofisticar muito ainda para poder começar a sentir vergonha de alguma coisa.

05 agosto 2008

O caso antraz: suicídio do pesquisador suspeito

Bruce Ivins se alistando na cuz vermelha. Por Frederick News-Post

Lembra o que é “antraz”? Esta bactéria ficou famosa depois das cartas com um pó branco, que era esporo de antraz, foram distribuídas pelo correio americano. Um dos poucos casos de ataque biológico no mundo, este caso, mesmo tendo ocorrido no fim de 2001, quando matou 4 pessoas e deixou outras 17 doentes, ainda não foi solucionado. Mas as investigações não pararam. Tanto que um dos suspeitos, Bruce Ivins acabou se matando no dia 29 de julho.

Se matou pela pressão da acusação sendo inocente ou pela culpa? Segundo a revista WIRED, o FBI estava pegando pesado com a investigação, oferecendo dinheiro para o filho de Ivins e até mesmo mostrando fotos de pessoas infectadas com antraz para a filha, tudo para pressioná-los a achar provas contra seu pai.

O pesquisador Bruce Ivins trabalhava com antraz no departamento de defesa biológica do exército americano. Por 18 anos ele trabalhou em vacinas contra o antraz, inclusive contra a cepa (“raça”) de bactéria encontrada nas cartas.

Agora com o suicídio talvez nunca saibamos se e como ele pode ter se envolvido com os ataques.
E os outros pesquisadores envolvidos em defesa contra o bioterrorismo estão em alerta. Afinal, sempre que algo acontecer envolvendo o tema de sua pesquisa, estes profissionais serão acusados? Por exemplo, neste mesmo caso do antraz, um pesquisador recebeu uma indenisação de U$4,6 milhões do governo por ter sido apontado como suspeito, quando era inocente, e teve sua carreira arruinada pela acusação.

Mas e se realmente ele estava envolvido? Como melhorar o controle das pesquisas? Surgiu uma especulação na época dos ataques que eles podiam ter sido causados por um fanático da defesa anti bioterrorismo para chamar a atenção para este programa de defesa. Se isso for verdade, disse o especialista em biosegurança Gerald Epstein, deixaria a impressão de que as pesquisas de biodefesa seriam uma fraude por serem inúteis, já que a ameaça maior viria de dentro da própria defesa americana.

Fonte: ScienceNOW

29 julho 2008

Chá de graviola NÃO cura o câncer!


Esse spam é o que segue abaixo. Caso receba qualquer coisa desse gênero, principalmente não assinado, nunca repasse. Se achar interessante, uma busca prévia no Google é o mínimo que se pode fazer para confirmar uma informação. Essa foi a primeira página que encontrei ao procurar sobre este spam da graviola: http://www.quatrocantos.com/LENDAS/133_graviola.htm. Está excelente. Pode mandar os spans pra mim também. Assim posso tentar descobrir a veracidade e colecionar as aberrações, o que seria um hobbie interessante

Mas sobre este spam específicmente: se curar é placebo. E se tiver algum efeito, não vai ser o chá bruto o melhor meio de cura.
Como já havia dito aqui, CURA do câncer é dificil, controlá-lo é o caminho mais plausível.
E convenhamos, dizer que "funcionou pra minha cachorrinha" deu um toque de credibilidade fantástico, além de ser muito fôfo!

P.S.: Aqui segue uma bandeira de paz para quem gosta de graviola. Ela pode não curar o câncer, mas que essa receita com salmão e maracujá deve ser ótima, ah isso deve.

Tenho uma colega que possui uma cachorrinha que estava desacreditada
pelos
veterinários, pois estava tomada de câncer, ou seja, metástase.
Como não havia mais solução e nem tratamento para a cachorrinha, e
nada
tinha a perder, essa colega foi orientada a dar o chá de folha de
graviola
para sua cadelinha.

Acreditem, após 1 mês 1/2, ela voltou ao veterinário para fazer um
novo
exame e nada mais foi encontrado.

As células cancerígenas haviam desaparecido.
P.S: abaixo segue um informativo sobre a folha de graviola.

A ERVA QUE CURA CÂNCER

Recebido de Dr. Rômulo d'Avila (que é médico).
Repassem aos seus contatos. Notícias assim não são divulgadas por
causa da
pressão dos grandes laboratórios farmacêuticos. Mas esse é o lado
bom da
Internet.

Foi pesquisado pela USP e é válida Dr. Panuzza confirma.
SE VC CONHECE ALGUÉM QUE TEM CÂNCER, POR FAVOR ENCAMINHE ESSE
E-MAIL.

MAS MESMO QUE NÃO CONHEÇA ENCAMINHE A OUTRAS PESSOAS,PORQUE QUEM SABE
ESSAS
POSSAM AJUDAR ALGUÉM QUE PRECISE.
ALÉM DE CURAR O CÂNCER, ESSA FOLHA TEM OUTROS BENEFÍCIOS.

*ABAIXO SEGUE COMENTÁRIO:**
**
*FOLHA DE GRAVIOLA
A folha de graviola cura câncer. Segundo Evandro Romualdo,um amigo lhe
confidenciou a seguinte história:

Que sua esposa após descobrir um câncer no seio que chegou a se
espalhar
pelo seu corpo, estava praticamente com os dias de sua vida contados.
Foi
então, que ele descobriu uma

publicação sobre o CHÁ DE GRAVIOLA.

A notícia estava em um site e o título do artigo é CANCER MAGIC
BULLET
DISCOVERED, but drug giants hushes it up!
- 10,000 times stronger than chemotherapy with no adverse side
effects.....

Na reportagem eles citam o quanto o extrato da GRAVIOLA é 10.000 vezes
mais
forte do que a quimioterapia por drogas,e sem efeitos colaterais.

Citam também a árvore como sendo encontrada na floresta Amazônica.

Enfim, a esposa dele também tomou o chá, e em dois meses não tinha
mais
nenhuma seqüela ou ferida.

Hoje está viva e saudável!

AQUI FICA A DICA PARA QUEM PRECISAR, SE PUDER DIVULGUE,QUEM SABE ASSIM
CONSEGUIMOS AJUDAR MAIS PESSOAS COM ESSA NOVA DESCOBERTA.

17 julho 2008

Publicidade para cientistas: um público-alvo diferente?

No esforço de enfiar a cultura científica guela abaixo da cultura pop, ou pelo menos aumentar esta interação, eu gostei da iniciativa da Eppendorf com a campanha para seus pipetadortes.


Pipetadores são aquelas coisinhas que estão sempre nas mãos de cientistas de jaleco, nas suas bancadas com seus tubos e reações minúsculas. Afinal, sem eles seria dificil medir 10 microlitros de reagentes para trabalhar. Como devem imaginar, este trabalho de montar reações não é nada glamuroso, e sim repetitivo e monótono. Mas com um toque de magia publicitária até este tipo de trabalho pode ser tema de propaganda.

Afinal, nós cientistas também queremos o direito de ser tratados como mercado-alvo!!! E com uma boy-band de verdade da próxima vez, que a gente merece!

Ou ninguém merece. Na verdade a publicidade para cientistas deveria ser algo novo, menos chato do que é, mas não tão popularesco como este. Claro que vale a piada, mas essa interação pop-ciência pode ser mais fecunda.

Veja outro vídeo para um equipamento que amplifica DNA, a famosa máquina de PCR.


Comentado em Nature

15 julho 2008

Ambiente social e cultural, ou genética? Qual decide nosso destino?

Ambiente social e cultural, ou genética? Qual decide nosso destino?

Casos e mais casos sugerem a influência dos dois. Como eles interagem ainda permanece um mistério. Afinal, como a dieta de uma larva de abelha pode definir se ela será uma operária ou uma rainha? Como o ambiente social pode “neutralizar” o efeito de um gene, deixando alguém mais ou menos violento?

É difícil pensar nas nossas ações, decisões e personalidades sendo moldadas por genes. Mas não é tão difícil imaginar que o exemplo dos pais pode moldar a personalidade de uma criança. Afinal, o exemplo paterno está na mesma classe de eventos que a formação da personalidade infantil: a psicológica. O gene está ligado só a doenças, ao corpo diretamente. E se tudo isto estiver interligado?

Isso leva a uma pergunta antiga: a mente está ligada ao corpo? Os bons e velhos cartesianos achavam que não. E por muito tempo esta foi a visão mais aceita pelo mundo. Hoje em dia, estudos de fisiologia, psiquiatria, psicologia, neurociências, têm mostrado a ligação direta entre o corpo e a mente.

Muitas de nossas ações são moduladas por hormônios e neurotransmissores, que são todas proteínas, e as proteínas são feitas por genes. Uma das grandes perguntas que se faz hoje em dia é esta, já feita acima, mas aqui generalizada: como o ambiente pode interagir com nossas proteínas e influenciar nosso comportamento?

Prometo trazer toda informação possível para esclarecê-lo, caro leitor. Porque eu faço isto? Não sei. Talvez minhas proteínas precisem do seu reconhecimento. E isto talvez só Freud explique!

10 julho 2008

Brasil é notícia na Nature

Olha aí que beleza, Brasil é notícia numa das revistas da Nature. E não falou de biocombustível, hein. Saiu na Nature Medicine. Nada muito interessante na verdade. Só falando da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, mas acho que isto mostra um certo interesse internacional pelo tema, principalmente quando está sendo tratado dentro de um país em desenvolvimento.

A votação apertada de 6 contra 5 pode pegar um pouco mal, mostrando um país dividido nestes assuntos biotecnológicos e éticos. Mas no artigo é citada uma pesquisa do Ibope dizendo que 75% dos brasileiros aprova totalmente as pesquisas com células-tronco. A pergunta é, esses brasileiros sabiam o que é célula-tronco embrionária?

Estas células seriam obtidas desta maneira retratada ao lado?

03 julho 2008

Proporção entre machos e fêmeas importa sim! Pergunte a um solteiro.


Deu no G1: Proporção entre machos e fêmeas influi mais em extinção do que ambiente

Os autores do estudo concluíram que os modelos científicos atualmente utilizados para prever a extinção das espécies são imperfeitos, pois não dão importância suficiente ao fator proporção entre machos e fêmeas.


Isso parece que funciona também em padrões de migração humana. Afinal, a maioria dos solteiros que eu conheço, a primeira pergunta que fazem quando você viaja para outra cidade ou país é: "Tem muita mulher?" E a segunda é: "são bonitas?". Isso não passa de uma sondagem que muitas vezes influencia a decisão do solteiro caso ele tenha que se mudar e escolher onde morar.

Isso que estou falando agora não é um dado, é uma suposição partindo dos meus amigos solteiros (não eu porque já sou comprometido e não quero problemas com a patroa), mas acho que acontece isso sim.
Parece que desde insetos até nós, a proporção entre machos e fêmeas importa sim.

Só um errinho na notícia: "Resultados indicam que espécies estão mais ameaçadas do que antes se pensava." Não tem nada disso. Só descobriram mais uma variável importante que deve ser analisada, que é a proporção macho/fêmea. A ameaça não aumentou, aumentou a nossa compreensão sobre o processo.

01 julho 2008

O que têm em comum minha opção sexual e um cão-herói? Ora, a velha questão “gene x ambiente”!


Deu na Science: a influência na determinação da sexualidade é influenciada mais pelo ambiente que pelos genes. Ou seja, a criação, a cultura ou mesmo a gestação, têm juntos um papel preponderante na determinação das preferências sexuais. Pelo menos este estudo indica que os genes são responsáveis por 34% a 39% das diferenças entre os dois grupos estudados. Que grupos são esses? Ora, as melhores fontes para este tipo de estudo: super-gêmeos ativar! Um grupo de gêmeos idênticos, que são clones humanos naturais criados no mesmo ambiente, comparados com um grupo de gêmeos fraternos (ou seja, também a mesma criação mas genomas diferentes), se houver um bom número de cada, você pergunta o que quiser. Se for mais genético, os gêmeos idênticos vão ter mais que os fraternos. Simplifiquei, mas basicamente é isso.

E o que isto tem a ver com o tal Cão-herói do título? Veja só, deu no Estadão:
Cão que participou de resgate a vítimas de 11-9 será clonado. (...)O cão foi selecionado através de um concurso do laboratório BioArts Internacional que o elegeu como o cão mais “digno de ser clonado”(...).

E de que adianta? Só porque geneticamente o clone vai ser igual, quem disse que vai ser tão bom quanto o original? Temos visto que estas características complexas, desde sexualidade humana até “capacidade de resgate” canina, se devem muito mais às infinitas variáveis do ambiente que às sequencias de ATCG.

E uma coisa que achei bizarra: “eleito o mais digno de ser clonado”? Perigoso isso, não?

26 junho 2008

Magia e crença no laboratório


Olhando esta imagem aqui em cima eu parei pra pensar se existe magia num laboratório. Não que ela exista, mas as vezes parece existir. Existe no como nós trabalhamos no lab. Muita coisa parte da fé. Nenhum ser humano já viu uma base de DNA, um A,T, C, ou G. Mas temos fitas de DNA desenhadas por todo o lado e trabalhamos com isso. Temos um tubo com DNA, e só o que se vê é a mais pura e clara água. Mas a máquina quantificadora nos diz: esta água contém 200 nanogramas de DNA por mL. Para cortar este DNA usamos enzimas que, pelo catálogo da empresa que a produz, irá cortar a dupla-fita no local exato. Montamos a reação e TCHA-NÂÂÂ... a mesma aguinha "sem nada dentro". Mas quando adcionamos o reagente certo (brometo de etídio) vemos uma florescência. Algo brilha. É o DNA que prendeu o brometo. Pelo menos é o que me disseram...

Sempre vemos as coisas de forma indireta, pela máquina, pelo brilho, pela reação com outra coisa. Mesmo no dia a dia normal é assim. Mas no lab a coisa fica bem mais evidente. Esse é o "dia a dia", fazer acontecer sem enxergar, ouvir ou tocar.

Mas a coisa não pode ficar na fé. O pesquisador que não sabe porque o DNA brilha quando adiciona-se o reagente brometo, esta sendo crente no protocolo. Acaba agindo cegamente. Tem acontecido muito hoje em dia. As pessoas que entram no lab não questionam o "porquê das coisas funcionarem assim". Querem um kit pronto e acabou.

Isso pode indicar duas coisas preocupantes: falta de curiosidade e/ou falta de pensamento crítico. Sendo que nenhuma delas pode faltar num pesquisador, justamente por serem as PRINCIPAIS características de um cientista.

22 junho 2008

A lista dos cinco números


Um desafio se faz presente por meio do blog 1001 gatos de Schrödinger. Uma lista de 5 coisas. Que coisas? Coisas quaisquer. Por isto não se assuste, caro leitor, pois esta postagem pode fugir da realidade auto-construida deste blog.

Farei a lista com a essência dos próprios cinco números.

1- Existe um documentário simplesmente sensacional, chama-se “A história do número 1”, e eu nunca tinha dado bola para este detalhe: a importância do número UM. Ele foi o primeiro dos números, a unidade em si. E é o mais em uso hoje em dia, na linguagem binária dos computadores.

2- O lance da dualidade. Muita coisa se classifica entre DUAS categorias. O mundo que é assim mesmo ou o nosso cérebro que enxerga algumas coisas só em preto ou branco, certo ou errado, bem ou mal?

3- Algo que eu sempre achei fantástico: sabe quando você senta num bar e a mesa tem aquele gingado? Fica balançando toda hora? Isso me irrita muito. Como resolver isto de uma vez? Mesas com TRÊS pés! Elas NUNCA ficarão bambas. Quando os estabelecimentos responsáveis irão se tocar?

4- Mão de desenho animado. Por que todo personagem de desenho animado tem apenas QUATRO dedos nas mãos?!

5- Impossível cortar uma pizza em CINCO pedaços idênticos.
ps: na wiki "O número 5 (cinco) é o único número escrito na língua portuguesa que se escreve com o mesmo número de letras que o valor que representa." Pôxa...

21 junho 2008

A genialidade da mulher-melancia. Só se aquilo tudo for omega-3


Depois das dicas para melhorar desempenho cognitivo, do leite materno e do chá verde, uma nova informação interessante neste campo: Omega-3 deixa meninas mais espertinhas.
Segundo notícia da Science, numa mega-pesquisa sobre nutrição e saúde feita nos EUA, com 4000 garotos e garotas entre 6 e 16 anos, os pesquisadores perceberam que meninas com mesma idade, classe social, etnia e resultados em testes de sangue equivalentes, mas que consumiam mais Omega-3, obtinham melhores resultados em testes cognitivos, inclusive de QI. Em meninos também ocorre um aumento, mas num nível duas vezes menor.

Essa importância do Omega-3 não é nova. Outros estudos já descobriram que a falta desta substância está associada a aumento na agressividade, depressão, suicídio e transtorno bipolar. Isto porque os neurônios utilizam ácido-graxos (que formam as gorduras, como o Omega-3) para formar seus axônios.

Mas agora pasme! O Omega-3 se concentra mais na gordura que se localiza no quadril, e o Omega-6 na cintura. Percebeu-se que mulheres com mais quadril e menos cintura têm melhor desempenho em testes cognitivos, assim como os seus filhos.

Um outro estudo mostrou que os homens preferem as mulheres com mais quadril que cintura ( o teste era simples, mostrando para homens siluetas de mulher com diferentes tamanhos de cinturas e quadris), numa proporção quadril x cintura de 0,7. Comparando esta relação cintura x quadril preferida pelos homens, o estudo, usando dados de clínicas de fertilização, constatou que as mulheres com esta relação 0,7 de medidas eram as mais férteis. Ou seja, corpo de violão é sinal de fertilidade, e os homens que preferem este tipo de mulher teriam maior sucesso reprodutivo, e seria por isso que esta relação 0,7 lota as capas de playboys e concursos de beleza.

Chegamos assim a uma conclusão esdrúxula: as mulheres capas de Playboy, misses e dançarinas de palco do Faustão, seriam as mais inteligentes dentre as mulheres!
Concordemos que isto foge do senso comum. Talvez porque o Omega-3 só é responsável por determinar 1% da diferença de inteligência. Fatores genéticos e educação influenciam muito mais.
Mesmo assim não podemos duvidar da inteligência destas mulheres-melancia, pois se formos ver quem ganha mais, uma capa de Playboy ou uma aluna de pós-graduação, talvez percebamos a “genialidade” que reside nos corpinhos de violão.

18 junho 2008

Seria eu um cientista?!

Estava pensando no que definiria um cientista. Mas não vou cair no clichê de procurar a definição no dicionário, e nem vou buscar a etimologia da palara para dizer que "vem do latim cientia ..." ou algo assim.
A minha idéia resumida de cientista é a seguinte: o cara que tem uma idéia original e a desenvolve usando as técnicas apropriadas. Bom, segundo esta definição um artista poderia ser um cientista, afinal o artista desenvolveu sua idéia original em uma obra e a concretizou de maneira apropriada.
A diferença é que o cientista deve seguir as técnicas vigentes em cada área de investigação e seu resultado deve ser comprovado por todos os seus companheiros cientistas.

Definido o que é ser cientista, vejamos: Sou um cientista?

Apesar de estar no doutorado, conhecer bem a história da ciência, seus preceitos básicos, seus bastidores, planejar e realizar experimentos, ainda não me consideraria cientista, justamente por me faltar a tal idéia original. Eu seria então um técnico com nével superior, talvez.

Ciência não é algo fixo e estéril, como pode parecer. Demanda criação, também. É um processo criativo, não repetitivo.
Se o doutorado é o precesso de formação de um PhD, imagino que até o fim deste precesso tenha atingido minha maturação de cientista. Até lá posso ter o meu momento Arquimedes de EURECA, e ter minha idéia original.



Este post é parte integrante da blogagem coletiva "Um cientista em minha vida", organizado pelo Brontossauros no meu jardim

10 junho 2008

Férias

Aos meus 42 leitores diários:

Não me abandonem! Tiro férias até dia 18. Até lá se divirtam com meu netvibes.

Grato

04 junho 2008

Chá verde: o frio pede, os pesquisadores recomendam


Dica para o inverno que se aproxima: um chá verde bem quentinho todo dia. Afinal, o friozinho pede e os pesquisadores recomendam. Vários estudos sérios vem sendo feitos para testar o que os orientais por muito tempo se gabam de saber.
Por exemplo, parece que o chá verde reduz mortalidade por doenças cardiovasculares; pode reduzir problemas cognitivos; e a substância EGCG presente no chá diminui o crescimento de células de alguns tumores. Recentemente descobriu-se que este EGCG atrapalha a formação de estruturas que causam Parkinson e Alzheimer.

Tudo isto é muito preliminar, por isso nada de trocar a consulta médica e o remédio por uma cerimônia do chá.

Mas tentem fazer isto um dia. Quando estiver bem frio, chegue em casa, tire a roupa do trabalho, faça um chá verde do jeito que deve ser feito (esquente a água atá QUASE ferver; acrescente as folhas,não esse de saquinho que de chá não tem nada, deixando por 5 minutos; coe e sirva). Não ponha açúcar ou adoçante pelo amor de deus! Sinta o calor e o amargor revigorantes. Assim, mesmo se o tal do EGCG não tiver efeito nenhum, pelo menos o efeito placebo desse ritual o fará bem melhor.

Vi na Nature Structural & Molecular Biology

A genética como produto na revista Exame


Passei pela banca esta semana (coisa que a muito não faço por ter tanta coisa pra ler na internete) e me chamou a atenção a capa da revista Exame com uma dupla fita de DNA na capa. "Seu DNA vale bilhões" é o que diz a chamada. Claro, comprei a danada.

Muita coisa eu já havia escrito aqui (o que me alegra por saber que não estou defasado, e me entristece porque eu queria escrever um artigo maior justamente sobre isso). O foco são os testes genéticos e as empresas que estão surgindo neste ramo. Também cita o que empresas grandes como a Nestle e Siemens estão fazendo para se preparar para este novo movimento da "genômica pessoal".

Quase soquei o computador quando vi que a matéria está disponível online e eu não precisava ter comprado a revista. No site da Exame tem um video de 2 min. sobre o tema. Mostra a repórter na exposição Revolução Genômica, que está rolando no Ibirapuera até julho, e o laboratório da Nestle aqui no Brasil.

Na verdade não comprei a revista a toa, já que o mais interessante da reportagem, na minha opinião, foi o relato de Maurício Lima sobre o exame genético que ele testou, e infelizmente não foi disponibilizado online. Neste relato ele conta que comprou o kit por 1000 dólares, cuspiu no potinho, e enviou esta amostra de volta ao laboratório da empresa 23andMe. Muito tempo depois obteve a resposta com o acesso online a algumas sequências, não do genoma inteiro, e sua comparação com estudos já realizados.

Basicamente se determina qual cópia de um gene relacionado a alguma doença você tem. Algumas cópias estão mais presentes em doentes. Daí se tira a tal chance de desenvolver a doença, coisa que é totalmente virtual, já que não se pode garantir que você terá ou não terá a doença. Mesmo ele sabendo disto, ficou ansioso ao saber que tem chance maior que a média de ter uma doença nos olhos que pode deixar a pessoa cega.

Se você se interessa pelo assunto, vale a pena comprar a revista Exame, e entrar também no site da 23andMe. Lá você pode, sem pagar nada, navegar pelos dados de sequenciamento de uma família fictícia, e ter uma idéia de como funciona o negócio.

P.S.: Esta não é uma postagem patrocinada. Nem pela Exame, nem pela 23andMe. Aliás deixo aqui o alerta de "CUIDADO-Determinismo Genético inside". Para uma crítica, leia também aqui.

02 junho 2008

Super-ultra-mega evento científico-artístico-educacional


Como é que fazem um baita evento mirabolante e interessantíssimo, tentando unir ciência, arte e divulgação e não me avisam?!

Cadê a imprensa nacional cobrindo o evento?! Até a Revista Science mandou dois repórteres para atualizar um blog só do evento. Que evento? O World Science Festival (festival mundial de ciência), que estava acontecendo em Nova Iorque do dia 28 de maio até ontem. Duas lástimas: não me convidarem para ministrar uma palestrinha, mesmo que mixuruca (ha ha ha); e outra é o completo silêncio sobre o assunto aqui. Má divulgação americana ou descaso no Brasil?

Enfim, o evento, voltado para o povo não-cientista, deve ter sido maravilhoso. Organizado por cientistas e artistas, contou com os maiores pesquisadores, pensadores e divulgadores de ciência. Como já disse, a Science montou um blog especial para atualizar sobre o evento. Lá dá pra ter uma idéia da beleza que foi.

Palestras abertas; debates entre pensadores de diferentes formações; participação de estudantes nos debates junto com vencedores do prêmio Nobel; peças teatrais e coreografias de dança inspiradas em temas científicos; eventos sobre carreira para jovens; Disney para crianças; feira aberta com performances, uma loucura.

Os temas? Da origem do universo até o possível fim do mundo. Passando por ambiente, moral, experimentos que deram errado, Deus, o filme Identidade Bourne e a memória, genética, esporte, soluções para cidades, a por aí vai.

Aqui temos a Semana de Ciência e Tecnologia, que tem seu mérito por ser uma iniciativa por todo o território nacional. Mas o ideal seria juntar este alcance da Semana de Ciência com o ideal do World Science Festival, que é ser mais pop, mais hype. Nas palavras do organizador do festival, o físico Brian Greene: A ciência é inspiradora, excitante, pode influenciar vidas. Não é a ciência “engraçadinha”, mas a coisa real.

Células-tronco: o "caminho do meio" do ministro Direito.


Confesso que ao ver o pronunciamento do ministro Direito, uma ponta de esperança surgiu em mim. Afinal ele citou muita coisa sobre retirar células de embriões sem os inutilizar, ou usar embriões que páram de se dividir, caracterizando talvez o tão incerto termo “embriões inviáveis”, que consta na lei. Disse que já é feita extração de células de embriões para diagnóstico genético, onde se retira uma célula do embrião para detectar alguma doença hereditária grave. Mas esta técnica não garante a viabilidade do embrião. O risco envolvido é alto.

A outra alternativa seria usar embriões que pararam de se dividir, poderia ser uma boa opção, pois parece que há um bom número de células vivas nestes embriões. Mas em que condições estariam estes embriões? Se pararam é porque algo está errado com eles. Assim, seriam necessários muito mais embriões para se conseguir estudar o que se pretende. E no fim não teríamos certeza se aquelas células usadas se comportam como células-tronco normais. Muito esforço para nada.

Apesar de não ter falado nada que deixasse explícita a sua formação católica, Direito acabou mostrando um bom lado budista, ao tentar achar o “caminho do meio”, tão trabalhado pelo budismo. O que, dependendo da interpretação, pode ir de encontro com a fé católica, já que o próprio Jesus Cristo disse: “Sede frios ou quentes, os mornos serão vomitados”.

De qualquer forma parece não haver caminho do meio neste assunto. A lei foi aprovada. Aos trancos e barrancos mas foi. Estejamos atentos para que os medos levantados pela polêmica, como tráfico de embriões, ou descaso com material embrionário, não aconteçam mesmo, como prometem os cientistas.