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29 julho 2008

Chá de graviola NÃO cura o câncer!


Esse spam é o que segue abaixo. Caso receba qualquer coisa desse gênero, principalmente não assinado, nunca repasse. Se achar interessante, uma busca prévia no Google é o mínimo que se pode fazer para confirmar uma informação. Essa foi a primeira página que encontrei ao procurar sobre este spam da graviola: http://www.quatrocantos.com/LENDAS/133_graviola.htm. Está excelente. Pode mandar os spans pra mim também. Assim posso tentar descobrir a veracidade e colecionar as aberrações, o que seria um hobbie interessante

Mas sobre este spam específicmente: se curar é placebo. E se tiver algum efeito, não vai ser o chá bruto o melhor meio de cura.
Como já havia dito aqui, CURA do câncer é dificil, controlá-lo é o caminho mais plausível.
E convenhamos, dizer que "funcionou pra minha cachorrinha" deu um toque de credibilidade fantástico, além de ser muito fôfo!

P.S.: Aqui segue uma bandeira de paz para quem gosta de graviola. Ela pode não curar o câncer, mas que essa receita com salmão e maracujá deve ser ótima, ah isso deve.

Tenho uma colega que possui uma cachorrinha que estava desacreditada
pelos
veterinários, pois estava tomada de câncer, ou seja, metástase.
Como não havia mais solução e nem tratamento para a cachorrinha, e
nada
tinha a perder, essa colega foi orientada a dar o chá de folha de
graviola
para sua cadelinha.

Acreditem, após 1 mês 1/2, ela voltou ao veterinário para fazer um
novo
exame e nada mais foi encontrado.

As células cancerígenas haviam desaparecido.
P.S: abaixo segue um informativo sobre a folha de graviola.

A ERVA QUE CURA CÂNCER

Recebido de Dr. Rômulo d'Avila (que é médico).
Repassem aos seus contatos. Notícias assim não são divulgadas por
causa da
pressão dos grandes laboratórios farmacêuticos. Mas esse é o lado
bom da
Internet.

Foi pesquisado pela USP e é válida Dr. Panuzza confirma.
SE VC CONHECE ALGUÉM QUE TEM CÂNCER, POR FAVOR ENCAMINHE ESSE
E-MAIL.

MAS MESMO QUE NÃO CONHEÇA ENCAMINHE A OUTRAS PESSOAS,PORQUE QUEM SABE
ESSAS
POSSAM AJUDAR ALGUÉM QUE PRECISE.
ALÉM DE CURAR O CÂNCER, ESSA FOLHA TEM OUTROS BENEFÍCIOS.

*ABAIXO SEGUE COMENTÁRIO:**
**
*FOLHA DE GRAVIOLA
A folha de graviola cura câncer. Segundo Evandro Romualdo,um amigo lhe
confidenciou a seguinte história:

Que sua esposa após descobrir um câncer no seio que chegou a se
espalhar
pelo seu corpo, estava praticamente com os dias de sua vida contados.
Foi
então, que ele descobriu uma

publicação sobre o CHÁ DE GRAVIOLA.

A notícia estava em um site e o título do artigo é CANCER MAGIC
BULLET
DISCOVERED, but drug giants hushes it up!
- 10,000 times stronger than chemotherapy with no adverse side
effects.....

Na reportagem eles citam o quanto o extrato da GRAVIOLA é 10.000 vezes
mais
forte do que a quimioterapia por drogas,e sem efeitos colaterais.

Citam também a árvore como sendo encontrada na floresta Amazônica.

Enfim, a esposa dele também tomou o chá, e em dois meses não tinha
mais
nenhuma seqüela ou ferida.

Hoje está viva e saudável!

AQUI FICA A DICA PARA QUEM PRECISAR, SE PUDER DIVULGUE,QUEM SABE ASSIM
CONSEGUIMOS AJUDAR MAIS PESSOAS COM ESSA NOVA DESCOBERTA.

17 julho 2008

Publicidade para cientistas: um público-alvo diferente?

No esforço de enfiar a cultura científica guela abaixo da cultura pop, ou pelo menos aumentar esta interação, eu gostei da iniciativa da Eppendorf com a campanha para seus pipetadortes.


Pipetadores são aquelas coisinhas que estão sempre nas mãos de cientistas de jaleco, nas suas bancadas com seus tubos e reações minúsculas. Afinal, sem eles seria dificil medir 10 microlitros de reagentes para trabalhar. Como devem imaginar, este trabalho de montar reações não é nada glamuroso, e sim repetitivo e monótono. Mas com um toque de magia publicitária até este tipo de trabalho pode ser tema de propaganda.

Afinal, nós cientistas também queremos o direito de ser tratados como mercado-alvo!!! E com uma boy-band de verdade da próxima vez, que a gente merece!

Ou ninguém merece. Na verdade a publicidade para cientistas deveria ser algo novo, menos chato do que é, mas não tão popularesco como este. Claro que vale a piada, mas essa interação pop-ciência pode ser mais fecunda.

Veja outro vídeo para um equipamento que amplifica DNA, a famosa máquina de PCR.


Comentado em Nature

15 julho 2008

Ambiente social e cultural, ou genética? Qual decide nosso destino?

Ambiente social e cultural, ou genética? Qual decide nosso destino?

Casos e mais casos sugerem a influência dos dois. Como eles interagem ainda permanece um mistério. Afinal, como a dieta de uma larva de abelha pode definir se ela será uma operária ou uma rainha? Como o ambiente social pode “neutralizar” o efeito de um gene, deixando alguém mais ou menos violento?

É difícil pensar nas nossas ações, decisões e personalidades sendo moldadas por genes. Mas não é tão difícil imaginar que o exemplo dos pais pode moldar a personalidade de uma criança. Afinal, o exemplo paterno está na mesma classe de eventos que a formação da personalidade infantil: a psicológica. O gene está ligado só a doenças, ao corpo diretamente. E se tudo isto estiver interligado?

Isso leva a uma pergunta antiga: a mente está ligada ao corpo? Os bons e velhos cartesianos achavam que não. E por muito tempo esta foi a visão mais aceita pelo mundo. Hoje em dia, estudos de fisiologia, psiquiatria, psicologia, neurociências, têm mostrado a ligação direta entre o corpo e a mente.

Muitas de nossas ações são moduladas por hormônios e neurotransmissores, que são todas proteínas, e as proteínas são feitas por genes. Uma das grandes perguntas que se faz hoje em dia é esta, já feita acima, mas aqui generalizada: como o ambiente pode interagir com nossas proteínas e influenciar nosso comportamento?

Prometo trazer toda informação possível para esclarecê-lo, caro leitor. Porque eu faço isto? Não sei. Talvez minhas proteínas precisem do seu reconhecimento. E isto talvez só Freud explique!

10 julho 2008

Brasil é notícia na Nature

Olha aí que beleza, Brasil é notícia numa das revistas da Nature. E não falou de biocombustível, hein. Saiu na Nature Medicine. Nada muito interessante na verdade. Só falando da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, mas acho que isto mostra um certo interesse internacional pelo tema, principalmente quando está sendo tratado dentro de um país em desenvolvimento.

A votação apertada de 6 contra 5 pode pegar um pouco mal, mostrando um país dividido nestes assuntos biotecnológicos e éticos. Mas no artigo é citada uma pesquisa do Ibope dizendo que 75% dos brasileiros aprova totalmente as pesquisas com células-tronco. A pergunta é, esses brasileiros sabiam o que é célula-tronco embrionária?

Estas células seriam obtidas desta maneira retratada ao lado?

03 julho 2008

Proporção entre machos e fêmeas importa sim! Pergunte a um solteiro.


Deu no G1: Proporção entre machos e fêmeas influi mais em extinção do que ambiente

Os autores do estudo concluíram que os modelos científicos atualmente utilizados para prever a extinção das espécies são imperfeitos, pois não dão importância suficiente ao fator proporção entre machos e fêmeas.


Isso parece que funciona também em padrões de migração humana. Afinal, a maioria dos solteiros que eu conheço, a primeira pergunta que fazem quando você viaja para outra cidade ou país é: "Tem muita mulher?" E a segunda é: "são bonitas?". Isso não passa de uma sondagem que muitas vezes influencia a decisão do solteiro caso ele tenha que se mudar e escolher onde morar.

Isso que estou falando agora não é um dado, é uma suposição partindo dos meus amigos solteiros (não eu porque já sou comprometido e não quero problemas com a patroa), mas acho que acontece isso sim.
Parece que desde insetos até nós, a proporção entre machos e fêmeas importa sim.

Só um errinho na notícia: "Resultados indicam que espécies estão mais ameaçadas do que antes se pensava." Não tem nada disso. Só descobriram mais uma variável importante que deve ser analisada, que é a proporção macho/fêmea. A ameaça não aumentou, aumentou a nossa compreensão sobre o processo.

01 julho 2008

O que têm em comum minha opção sexual e um cão-herói? Ora, a velha questão “gene x ambiente”!


Deu na Science: a influência na determinação da sexualidade é influenciada mais pelo ambiente que pelos genes. Ou seja, a criação, a cultura ou mesmo a gestação, têm juntos um papel preponderante na determinação das preferências sexuais. Pelo menos este estudo indica que os genes são responsáveis por 34% a 39% das diferenças entre os dois grupos estudados. Que grupos são esses? Ora, as melhores fontes para este tipo de estudo: super-gêmeos ativar! Um grupo de gêmeos idênticos, que são clones humanos naturais criados no mesmo ambiente, comparados com um grupo de gêmeos fraternos (ou seja, também a mesma criação mas genomas diferentes), se houver um bom número de cada, você pergunta o que quiser. Se for mais genético, os gêmeos idênticos vão ter mais que os fraternos. Simplifiquei, mas basicamente é isso.

E o que isto tem a ver com o tal Cão-herói do título? Veja só, deu no Estadão:
Cão que participou de resgate a vítimas de 11-9 será clonado. (...)O cão foi selecionado através de um concurso do laboratório BioArts Internacional que o elegeu como o cão mais “digno de ser clonado”(...).

E de que adianta? Só porque geneticamente o clone vai ser igual, quem disse que vai ser tão bom quanto o original? Temos visto que estas características complexas, desde sexualidade humana até “capacidade de resgate” canina, se devem muito mais às infinitas variáveis do ambiente que às sequencias de ATCG.

E uma coisa que achei bizarra: “eleito o mais digno de ser clonado”? Perigoso isso, não?

26 junho 2008

Magia e crença no laboratório


Olhando esta imagem aqui em cima eu parei pra pensar se existe magia num laboratório. Não que ela exista, mas as vezes parece existir. Existe no como nós trabalhamos no lab. Muita coisa parte da fé. Nenhum ser humano já viu uma base de DNA, um A,T, C, ou G. Mas temos fitas de DNA desenhadas por todo o lado e trabalhamos com isso. Temos um tubo com DNA, e só o que se vê é a mais pura e clara água. Mas a máquina quantificadora nos diz: esta água contém 200 nanogramas de DNA por mL. Para cortar este DNA usamos enzimas que, pelo catálogo da empresa que a produz, irá cortar a dupla-fita no local exato. Montamos a reação e TCHA-NÂÂÂ... a mesma aguinha "sem nada dentro". Mas quando adcionamos o reagente certo (brometo de etídio) vemos uma florescência. Algo brilha. É o DNA que prendeu o brometo. Pelo menos é o que me disseram...

Sempre vemos as coisas de forma indireta, pela máquina, pelo brilho, pela reação com outra coisa. Mesmo no dia a dia normal é assim. Mas no lab a coisa fica bem mais evidente. Esse é o "dia a dia", fazer acontecer sem enxergar, ouvir ou tocar.

Mas a coisa não pode ficar na fé. O pesquisador que não sabe porque o DNA brilha quando adiciona-se o reagente brometo, esta sendo crente no protocolo. Acaba agindo cegamente. Tem acontecido muito hoje em dia. As pessoas que entram no lab não questionam o "porquê das coisas funcionarem assim". Querem um kit pronto e acabou.

Isso pode indicar duas coisas preocupantes: falta de curiosidade e/ou falta de pensamento crítico. Sendo que nenhuma delas pode faltar num pesquisador, justamente por serem as PRINCIPAIS características de um cientista.

22 junho 2008

A lista dos cinco números


Um desafio se faz presente por meio do blog 1001 gatos de Schrödinger. Uma lista de 5 coisas. Que coisas? Coisas quaisquer. Por isto não se assuste, caro leitor, pois esta postagem pode fugir da realidade auto-construida deste blog.

Farei a lista com a essência dos próprios cinco números.

1- Existe um documentário simplesmente sensacional, chama-se “A história do número 1”, e eu nunca tinha dado bola para este detalhe: a importância do número UM. Ele foi o primeiro dos números, a unidade em si. E é o mais em uso hoje em dia, na linguagem binária dos computadores.

2- O lance da dualidade. Muita coisa se classifica entre DUAS categorias. O mundo que é assim mesmo ou o nosso cérebro que enxerga algumas coisas só em preto ou branco, certo ou errado, bem ou mal?

3- Algo que eu sempre achei fantástico: sabe quando você senta num bar e a mesa tem aquele gingado? Fica balançando toda hora? Isso me irrita muito. Como resolver isto de uma vez? Mesas com TRÊS pés! Elas NUNCA ficarão bambas. Quando os estabelecimentos responsáveis irão se tocar?

4- Mão de desenho animado. Por que todo personagem de desenho animado tem apenas QUATRO dedos nas mãos?!

5- Impossível cortar uma pizza em CINCO pedaços idênticos.
ps: na wiki "O número 5 (cinco) é o único número escrito na língua portuguesa que se escreve com o mesmo número de letras que o valor que representa." Pôxa...

21 junho 2008

A genialidade da mulher-melancia. Só se aquilo tudo for omega-3


Depois das dicas para melhorar desempenho cognitivo, do leite materno e do chá verde, uma nova informação interessante neste campo: Omega-3 deixa meninas mais espertinhas.
Segundo notícia da Science, numa mega-pesquisa sobre nutrição e saúde feita nos EUA, com 4000 garotos e garotas entre 6 e 16 anos, os pesquisadores perceberam que meninas com mesma idade, classe social, etnia e resultados em testes de sangue equivalentes, mas que consumiam mais Omega-3, obtinham melhores resultados em testes cognitivos, inclusive de QI. Em meninos também ocorre um aumento, mas num nível duas vezes menor.

Essa importância do Omega-3 não é nova. Outros estudos já descobriram que a falta desta substância está associada a aumento na agressividade, depressão, suicídio e transtorno bipolar. Isto porque os neurônios utilizam ácido-graxos (que formam as gorduras, como o Omega-3) para formar seus axônios.

Mas agora pasme! O Omega-3 se concentra mais na gordura que se localiza no quadril, e o Omega-6 na cintura. Percebeu-se que mulheres com mais quadril e menos cintura têm melhor desempenho em testes cognitivos, assim como os seus filhos.

Um outro estudo mostrou que os homens preferem as mulheres com mais quadril que cintura ( o teste era simples, mostrando para homens siluetas de mulher com diferentes tamanhos de cinturas e quadris), numa proporção quadril x cintura de 0,7. Comparando esta relação cintura x quadril preferida pelos homens, o estudo, usando dados de clínicas de fertilização, constatou que as mulheres com esta relação 0,7 de medidas eram as mais férteis. Ou seja, corpo de violão é sinal de fertilidade, e os homens que preferem este tipo de mulher teriam maior sucesso reprodutivo, e seria por isso que esta relação 0,7 lota as capas de playboys e concursos de beleza.

Chegamos assim a uma conclusão esdrúxula: as mulheres capas de Playboy, misses e dançarinas de palco do Faustão, seriam as mais inteligentes dentre as mulheres!
Concordemos que isto foge do senso comum. Talvez porque o Omega-3 só é responsável por determinar 1% da diferença de inteligência. Fatores genéticos e educação influenciam muito mais.
Mesmo assim não podemos duvidar da inteligência destas mulheres-melancia, pois se formos ver quem ganha mais, uma capa de Playboy ou uma aluna de pós-graduação, talvez percebamos a “genialidade” que reside nos corpinhos de violão.

18 junho 2008

Seria eu um cientista?!

Estava pensando no que definiria um cientista. Mas não vou cair no clichê de procurar a definição no dicionário, e nem vou buscar a etimologia da palara para dizer que "vem do latim cientia ..." ou algo assim.
A minha idéia resumida de cientista é a seguinte: o cara que tem uma idéia original e a desenvolve usando as técnicas apropriadas. Bom, segundo esta definição um artista poderia ser um cientista, afinal o artista desenvolveu sua idéia original em uma obra e a concretizou de maneira apropriada.
A diferença é que o cientista deve seguir as técnicas vigentes em cada área de investigação e seu resultado deve ser comprovado por todos os seus companheiros cientistas.

Definido o que é ser cientista, vejamos: Sou um cientista?

Apesar de estar no doutorado, conhecer bem a história da ciência, seus preceitos básicos, seus bastidores, planejar e realizar experimentos, ainda não me consideraria cientista, justamente por me faltar a tal idéia original. Eu seria então um técnico com nével superior, talvez.

Ciência não é algo fixo e estéril, como pode parecer. Demanda criação, também. É um processo criativo, não repetitivo.
Se o doutorado é o precesso de formação de um PhD, imagino que até o fim deste precesso tenha atingido minha maturação de cientista. Até lá posso ter o meu momento Arquimedes de EURECA, e ter minha idéia original.



Este post é parte integrante da blogagem coletiva "Um cientista em minha vida", organizado pelo Brontossauros no meu jardim